Secretário de Estado dos EUA pede a Cuba para libertar líder dissidente

José Daniel Ferrer é chefe do grupo de oposição União Patriótica Cubana

Washington | AFP

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, apelou nesta segunda-feira (24) diretamente a Cuba para libertar o líder dissidente José Daniel Ferrer, prometendo responsabilizar o governo comunista pelo tratamento dado aos prisioneiros políticos.

Em uma carta aberta ao ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, Pompeo disse que Ferrer foi "arrastado, acorrentado, espancado e queimado" pelas autoridades desde que foi preso, há mais de cem dias.

"Até que haja democracia e respeito pelos direitos humanos em Cuba e todos os presos políticos sejam libertados, os Estados Unidos continuarão responsabilizando esse governo por seus abusos", escreveu Pompeo.

O dissidente político José Daniel Ferrer Garcia durante entrevista coletiva em Washington
O dissidente político José Daniel Ferrer Garcia durante entrevista coletiva em Washington - Chip Somodevilla - 1º.jun.16/AFP

"Pelo bem do povo cubano e pelo bem de sua nação, pedimos que libertem José Daniel Ferrer imediatamente e dê o primeiro passo em direção a um futuro melhor para Cuba."

Ferrer, 48, um dos dissidentes mais conhecidos da ilha, optou por permanecer em Cuba em vez de se exilar. Foi preso em 2003 junto a outras 74 pessoas após liderar pedidos de reformas políticas democráticas.

Depois de ser libertado, em 2011, sob pressão da Igreja Católica, formou a União Patriótica Cubana, um grupo de oposição. 

Após sua última prisão, em 1º de outubro de 2019, o jornal estatal cubano Granma chamou Ferrer de "um agente pago dos Estados Unidos", alegações rejeitadas por Washington.

Governos europeus e grupos de direitos humanos também pediram a Cuba para libertar o oposicionista.

Estados Unidos e Cuba, que não tinham boas relações desde a Revolução de Fidel Castro, em 1959, tiveram uma histórica aproximação entre 2014 e 2016, quando as relações diplomáticas foram reestabelecidas durante o governo de Barack Obama.

No entanto, o vínculo se deteriorou com a chegada de  Donald Trump à Casa Branca, em 2017. Desde então, Washington tem aplicado sanções que afetam o envio de combustíveis, transações financeiras, turismo e investimentos em Cuba.

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