Senado italiano autoriza julgamento de ex-ministro ultranacionalista

Matteo Salvini é acusado de 'sequestrar imigrantes' por impedir barco de atracar na Sicília

Bruxelas

O Senado italiano autorizou nesta quarta (12) o julgamento do líder de direita radical e ex-ministro Matteo Salvini sob acusação de sequestro de imigrantes.

Em julho de 2019, ele impediu o desembarque de centenas de imigrantes resgatados de um naufrágio ao tentarem atravessar o mar Mediterrâneo vindos da Líbia.

político segura papel e gesticula
Matteo Salvini durante sessão do Senado italiano que retirou sua imunidade e permitiu que seja julgado sob acusação de sequestrar imigrantes - Guglielmo Mangiapane/Reuters

O navio italiano Gregoretti ficou vários dias na costa da Sicília, sem poder atracar.

Salvini é o político mais estridente do partido ultranacionalista Liga e tem na campanha contra a imigração sua principal bandeira.

Se for condenado, ele pode ficar inelegível e pegar até 15 anos de prisão.

A decisão do Senado (que votou por 152 a 76 por retirar sua imunidade) é o segundo revés de Salvini em menos de um mês.

No final de janeiro, ele teve seu candidato derrotado em uma virada eleitoral na região da Emilia Romagna.

Nesta quarta-feira, votaram pela queda da imunidade também senadores do partido 5 Estrelas, que no passado apoiava a política anti-imigração do ministro da Liga.

Ao jornal italiano Corriere della Sera, o senador Mattia Crucioli justificou a mudança de posição dizendo que, “no caso do navio Gregoretti, foram colocados em risco os direitos constitucionais à saúde, à vida e à dignidade humana”.

O próprio Salvini havia declarado no começo deste ano que queria ir a julgamento. Segundo alguns analistas, porém, essa era uma estratégia para aparecer como vítima e atrair votos na eleição da Emilia Romagna.

Após a votação, ele afirmou estar “tranquilo e orgulhoso” de suas decisões e pronto a repeti-las “assim que voltar ao governo”.

O voto do Senado era necessário porque ministros na Itália têm imunidade em acusações baseadas em ações tomadas quando estavam em exercício do cargo.

A imunidade havia sido cancelada por uma comissão em janeiro, decisão agora ratificada pelos senadores.

O líder ultranacionalista deve enfrentar um novo pedido de quebra de imunidade no final deste mês, por motivo semelhante: impedir o atracamento do navio Open Arms, que carregava imigrantes.

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