Descrição de chapéu Coronavírus

Brasileiros ficam 'presos' em quarentena no Vietnã por coronavírus

Teste de turistas deu negativo, mas eles agora temem contrair vírus no local

São Paulo

Um casal de brasileiros que viajava pela Ásia está “preso” em um campo de quarentena para turistas no Vietnã, devido à pandemia do novo coronavírus, e não há previsão para que possam sair.

Os empresários Ricardo Riedel, 66, e Beatriz Riedel, 65, estão detidos em um campo de triagem próximo a Ho Chi Minh, no sul do país, desde sexta-feira (13). O casal fez testes de infecção do coronavírus, que deram negativo.

Eles reclamam da sujeira das instalações, da falta de perspectiva para que saiam mesmo após o exame negativo e da possibilidade de contraírem o vírus com algum outro detido.

Em nota, o Itamaraty informou que acompanha o caso desde sábado, “em contato frequente tanto com os cidadãos brasileiros quanto com o governo local, procurando prestar a assistência consular cabível, no sentido de tentar garantir aos brasileiros as melhores condições possíveis”.

Local onde brasileiros foram isolados próximo a Ho Chi Minh, no sul do Vietnã
Local onde brasileiros foram isolados próximo a Ho Chi Minh, no sul do Vietnã - Reprodução

Ricardo conta que saiu do Brasil no dia 6 em voo direto para Doha, no Catar. De lá, foi para Hanói, capital do Vietnã, onde fez um passeio de barco promovido por uma agência ao longo da baía de Ha Long com um grupo de dez pessoas.

Entre eles, estava um casal de ingleses que, no voo de ida ao Vietnã, tiveram contato com uma aeromoça que depois recebeu o diagnóstico de Covid-19.

Depois da viagem de barco, o grupo seguiu para Ho Chi Minh. Lá foram detidos e encaminhados a esse campo de triagem.

Ricardo reclama que não foi possível explicar que eles não viajaram junto com o casal, porque as autoridades locais não falavam inglês.

Ele diz que outras pessoas que tiveram contato com os ingleses foram para quarentenas em hotéis, já que não faziam parte de grupos de risco, mas que a eles não foi dada essa opção.

O local aonde foram levados tem grades nas janelas, acumula lixos pelos cantos, e os banheiros são compartilhados entre homens e mulheres, relatou o empresário à Folha por telefone.

“A temperatura está em constantes 38 graus. É cheio de pernilongo. A comida, intragável. Conseguimos colchões, mas quem chega hoje dorme em esteiras no chão. Parece ser pior que uma prisão, é muito sujo, precário, e está superlotado”, diz o empresário, que se queixa de não haver sabonete e produtos de higiene suficientes.

"A embaixada tem sido muito solícita, mas diz que não há previsão de ir embora", afirma.

A preocupação maior é contraírem o vírus com outros turistas, já que a doença atinge de forma mais forte doentes mais velhos. "A gente procura ficar mais isolado, para não aumentar nosso risco. Ficamos com medo de pegar qualquer coisa", relata.

No plano inicial, o casal brasileiro pretendia ainda ir ao Camboja e terminar a viagem em 26 de março. Agora, só querem voltar ao Brasil.

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