Descrição de chapéu Coronavírus

Premiê holandês gera confusão ao citar método questionado para conter coronavírus

Estratégia de imunidade coletiva serviria para ganhar tempo enquanto vacina não é criada

São Paulo

Uma confusão sobre a maneira com a qual a Holanda lida com a pandemia de coronavírus se instalou no país após o pronunciamento em rede nacional do premiê Mark Rutte, na segunda (16).

O primeiro-ministro falou que grande parte da população holandesa será infectada com o vírus num futuro próximo e que a ideia do governo é diminuir a propagação da doença enquanto a população desenvolve “imunidade de grupo controlada”.

“Pode demorar meses ou mesmo mais para que seja construída a imunidade de grupo, e durante esse período precisamos proteger as pessoas em maior risco o máximo que pudermos”, acrescentou.

Idosos acima de 65 anos são os mais vulneráveis.

Imunidade de grupo significa que, ao contrair uma doença, um grande número de pessoas desenvolve imunidade a ela, estancando assim a propagação de um vírus, segundo artigo do professor de epidemiologia Arindam Basu, da Universidade de Canterbury, no site The Conversation.

Homem caminha na praça Dam, região central de Amsterdã, esvaziada
Homem caminha na praça Dam, região central de Amsterdã, esvaziada - Remko De Waal/ANP/AFP

Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) questiona a aplicação do método neste momento, uma vez que ainda não se sabe com profundidade de que maneira o coronavírus atinge o corpo humano. A adoção da imunidade de grupo também foi cogitada pelo Reino Unido.

Na quarta (18), o estrategista do governo holandês para a pandemia, Jaap Van Dissel, afirmou aos parlamentares que tal estratégia não era o foco dos oficiais de saúde locais, mas ponderou que o desenvolvimento de resistência pela população gera tempo para que outras medidas sejam tomadas —como a criação de uma vacina, por exemplo.

Nesta quinta, o premiê reiterou que a imunidade coletiva não é o objetivo principal do governo, e sim um efeito colateral da maneira com a qual a Holanda lida com a pandemia. Ele afirmou que um mal-entendido surgiu depois de seu pronunciamento.

A Holanda fechou as universidades e as escolas, ordenou a bares e restaurantes que parem de funcionar e pediu —mas não impôs— às pessoas para ficarem em casa.

Um equilíbrio entre confinamento total da população e controle máximo possível do vírus deveria ser encontrado, acrescentou Van Dissel. Segundo ele, embora a ideia de quarentena absoluta garanta que menos pessoas se infectem, quando a rotina normal for retomada a sociedade será novamente exposta ao perigo.

Durante um debate no Parlamento nesta quinta (19), o ministro da Saúde, Bruno Bruins, desmaiou enquanto falava e teve de ser ajudado pelos congressistas. Ele publicou em uma rede social que estava exausto e precisava de uma boa noite de descanso.

Erramos: o texto foi alterado

Reportagem publicada anteriormente afirmava que a Holanda rejeita a estratégia de confinamento contra o ​coronavírus, adotando a imunidade coletiva como método de prevenção. Mas oficiais do país vieram a público afirmar que a imunidade coletiva não é o objetivo principal do governo. O texto foi alterado.

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