Moradores gregos queimam centro de acolhida para impedir que refugiados o utilizem

Grécia tenta conter onda de milhares de refugiados vindos da Turquia que fogem da guerra na Síria

Skála Sykaminéas (Grécia) | AFP

Habitantes da ilha grega de Lesbos atearam fogo a um centro de recepção de imigrantes desocupado no domingo (1º) à noite, perto da praia Skala Sykamineas. 

Esse centro, antes administrado pelo Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), havia sido fechado no final de janeiro pelas autoridades locais. O local era usado para receber migrantes antes de levá-los a um centro de recepção na mesma ilha. 

Moradores da ilha de Lesbos tentam impedir chegada de botes com imigrantes - Aris Messinis/AFP

Cerca de 150 habitantes da ilha se reuniram em torno do centro após a chegada de novos migrantes à praia de Skala Sykamineas. Temendo que o local fosse aberto novamente, eles atearam fogo em parte da instalação. 

Enquanto isso, cerca de 70 refugiados ainda estavam na praia no início da noite, sem cobertores. 

Neste domingo, aproximadamente 500 migrantes chegaram a diferentes pontos da ilha, a bordo de uma dúzia de navios. Moradores também tentaram impedir que botes atracassem na costa. 

Expressando sua raiva pela chegada de novos requerentes de refúgio, os habitantes impediram um barco com cerca de 50 imigrantes de desembarcar, gritando "volte para a Turquia!".

Essa nova onda de imigração é motivada pelos confrontos em Idlib, na Síria. O regime do ditador Bashar al-Assad realiza uma ofensiva para tentar acabar com o último reduto dos opositores.

Milhares de pessoas fugiram, parte delas rumo à Turquia. Como o governo turco diz não ter condições de receber mais refugiados, pressiona a Europa para obter ajuda, e promete liberar as passagens para eles por suas fronteiras. 

Em 2016, a Turquia assinou um pacto com Bruxelas para reduzir o fluxo de migrantes, especialmente para a Grécia. No entanto, ameaça agora romper esse acordo. 

O governo grego acusou a Turquia de fazer chantagem, prometeu fazer de tudo para barrar os imigrantes e disse ter impedido a entrada de quase 10 mil viajantes no sábado (29). 

Segundo a OIM (Organização Internacional para as Migrações), mais de 13 mil refugiados se aglomeram ao longo dos 212 km da fronteira terrestre entre Grécia e Turquia, ao longo do rio Evros.

Bloqueados em Pazarkule, no lado turco, milhares de imigrantes passaram a noite fria ao relento, cobertos com mantas e tentando se aquecer com fogueiras.

Ao menos mais 2.000 imigrantes chegaram à região neste domingo, segundo a AFP. Sírios, afegãos e iraquianos caminhavam em pequenos grupos, pelas margens de uma rodovia.

Também neste domingo, a Hungria anunciou que deixará de aceitar pedidos de asilo de refugiados, sob argumento de que os estrangeiros podem aumentar os riscos de contaminação pelo novo coronavírus

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