Putin pede a russos que fiquem em casa e ensaia quarentena contra vírus

Presidente adiou referendo sobre mandato; tchetcheno ameaça matar quem furar isolamento

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São Paulo

O presidente Vladimir Putin fez seu primeiro pronunciamento em rede de TV acerca da pandemia do coronavírus, um mês após o primeiro caso de infecção ser confirmado na Rússia, e pediu para que os cidadãos do país fiquem em suas casas.

Criticado por ter demorado a reconhecer a extensão da crise, Putin ainda não decretou a política de quarentena que vem sendo norma mundo afora. "Não pense: 'Isso não pode acontecer comigo'. Pode acontecer com qualquer um. O mais importante é ficar em casa", disse.

O presidente anunciou um feriado de uma semana no país, a partir de segunda (30), fechando todos os serviços não essenciais. Trabalhadores serão pagos normalmente durante o período, visto com uma espécie de ensaio para medidas de confinamento mais drásticas.

Em café em Omsk, pessoa assiste ao pronunciamento do presidente Vladimir Putin sobre coronavírus
Em café em Omsk, pessoa assiste ao pronunciamento do presidente Vladimir Putin sobre coronavírus - Alexey Malgavko/Reuters

Por ora, apenas pessoas com mais de 65 anos estão obrigadas a ficar em casa, mas há pouca ou nenhuma vigilância nas grandes cidades.

Putin também informou o que já se esperava: o referendo sobre as mudanças constitucionais que o permitirão buscar mais reeleições a partir de 2024, aprovado no Parlamento e pela Justiça, foi adiado de 22 de abril para uma data ainda incerta.

Ele também listou uma série de medidas iniciais para tentar mitigar os efeitos econômicos da crise do coronavírus. Quem perder o empregou ou não puder trabalhar por doença receberá o equivalente a um salário mínimo mensal do governo até o fim do ano.

Na Rússia, o mínimo equivale a R$ 780, mas há variações regionais: em Moscou, por exemplo, o valor é igual a R$ 1.300. Além disso, cada criança nas famílias receberá uma ajuda de R$ 45 mensais por tempo indeterminado.

A pandemia atinge o país no momento em que dificuldades econômicas se insinuam pela queda no preço do barril do petróleo, centro da exportação russa, assim como o gás.

A disputa sobre a regulação do mercado com a Arábia Saudita já insinuava restrições ao já deprimido crescimento russo, previsto para menos de 1,5% neste ano.

Há no país 658 casos da doença, com 3 mortes registradas. Os números são relativamente baixos, o que levantou suspeitas sobre sua acurácia.

Na terça (24), o prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, responsável nacionalmente pelo combate à Covid-19, admitiu que a subnotificação por falta da realização maciça de testes é a provável razão dos números.

No país, há restrições em algumas cidades, a maior parte vetando aglomerações. A exceção é a república da Tchetchênia, que tem três casos e decidiu nesta semana fechar todo o comércio não essencial, decretando quarentena.

O presidente da região, o autocrata Ramzan Kadirov, ameaçou mandar matar quem romper as ordens de isolamento. "Se você me perguntar, qualquer um que criar esse problema tem de ser morto. Ele não apenas fica doente, mas infecta sua família, irmãs, irmãos, vizinhos", disse à agência Caucasian Knot.

A declaração é naturalmente uma força de expressão, mas o longo histórico de brutalidade do regime de Kadirov torna especulações sobre o que vai acontecer assunto sério.

Ele assumiu o poder em 2007 após a destruição da pequena república caucasiana em duas guerras com o poder central na Rússia (1994-96 e 2009), além de insurreições jihadistas.

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