Seis dias após processar NYT, Trump entra com ação contra Washington Post

Processos têm como base artigos de opinião sobre ligações do presidente com Rússia

Nova York | Reuters

A campanha de reeleição do presidente dos EUA, Donald Trump, abriu um processo de difamação contra o Washington Post nesta terça-feira (3) por dois artigos de opinião que sugeriam haver laços impróprios entre a campanha republicana e a Rússia, a Coreia do Norte ou ambas.

A organização ajuizou a ação seis dias depois de tomar medida similar contra o New York Times. O caso também envolveu um texto que, segundo Trump, sugeria ter havido uma toma lá dá cá entre autoridades russas e a campanha do presidente em 2016.

Donald Trump responde a perguntas de repórteres antes de deixar a Casa Branca nesta terça (3)
Donald Trump responde a perguntas de repórteres antes de deixar a Casa Branca nesta terça (3) - Liu Jie/Xinhua

Os dois processos intensificam a longa batalha do presidente republicano contra veículos de imprensa que ele acredita ser tendenciosos —uma lista que também inclui CNN e SNBC e que ele frequentemente chama de "notícias falsas".

A campanha pleiteou indenizações de milhões de dólares nas duas ações.

O Washington Post, cujo dono é o bilionário fundador da Amazon, Jeff Bezos, não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.

O processo desta terça cita declarações consideradas falsas e difamatórias em dois artigos de opinião. O primeiro foi publicado em 13 de junho e assinado por Greg Sargent; o segundo, em 20 de junho, por Paul Waldman. Ambos escrevem para o blog Plum Line, do Washington Post.

A campanha questiona a afirmação de Sargent de que o ex-conselheiro especial Robert Mueller, em sua investigação sobre a interferência russa nas eleições de 2016 nos EUA, concluiu que a campanha de Trump tentou conspirar para que fosse realizado um ataque abrangente e sistêmico da Rússia contra as eleições.

Na ação, os representantes do presidente afirmam que o relatório de Mueller, divulgado em 18 de abril, realmente concluiu que "não havia conspiração" entre a campanha e o governo russo e que nenhuma pessoa dos EUA coordenou intencionalmente os esforços russos para interferir nas eleições.

A campanha também se opôs à declaração de Waldman de que "sabe-se lá que tipo de ajuda a Rússia e a Coreia do Norte darão à campanha de Trump agora que ele as convidou a oferecer sua assistência". 

Os advogados argumentam que ninguém associado à campanha ou à Casa Branca jamais convidou esses países para ajudar na campanha, e ninguém relatou nenhum contato entre a equipe e a Coreia do Norte sobre qualquer pleito americano. 

A campanha afirma ainda que o Washington Post estava ciente, à época da publicação, que as declarações não eram verdadeiras. Para o time do presidente, os textos fazem parte de um "padrão sistemático de parcialidade" e tinham como objetivo comprometer a reeleição de Trump.

As críticas de Trump ao que ele considera ser um viés progressista na mídia americana são bem recebidas por sua base política conservadora e muitas vezes geram aplausos em seus comícios, nos quais apoiadores frequentemente zombam dos jornalistas.

A ação contra o New York Times se baseia em um artigo de opinião publicado em 27 de março de 2019, escrito por Max Frankel, que atuou como editor-executivo do Times de 1986 a 1994.

Em um minuta da petição apresentada ao tribunal, advogados de Trump acusam o jornal de "preconceito extremo e animosidade em relação à campanha" e citam o que chamam de "exuberância do Times de influenciar indevidamente as eleições presidenciais em novembro de 2020".

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