Descrição de chapéu Coronavírus

Coronavírus leva Nova York a abrir valas comuns para enterrar mortos

Cidade mais atingida dos EUA já superou a marca de 5.000 óbitos

Nova York | Reuters

O alto número de mortes causadas pelo coronavírus na cidade de Nova York levou a prefeitura a usar valas comuns para enterrar as vítimas.

Imagens capturadas por meio de um drone nesta quinta-feira (9) mostram coveiros com trajes especiais de proteção enterrando caixões em grandes valas abertas em Hart Island, na costa leste do distrito do Bronx.

O local vem sendo usado pela prefeitura desde o século 19 para enterrar corpos de nova-iorquinos sem parentes próximos ou cujas famílias não estejam em condições de organizar um funeral.

Coveiros enterram corpos em vala comum aberta em Hart Island, na cidade de Nova York
Coveiros enterram corpos em vala comum aberta em Hart Island, na cidade de Nova York - Lucas Jackson - 9.abr.20/Reuters

A pandemia de coronavírus colocou os Estados Unidos no topo da lista de países que registram a maior quantidade de contaminações no mundo. Até a manhã desta sexta-feira (10), mais de 466 mil casos foram confirmados, e quase 17 mil mortes, registradas, de acordo com a universidade Johns Hopkins.

Só na cidade de Nova York, são 5.150 mortes.

Em circunstâncias normais, cerca de 25 corpos são enterrados por semana em Hart Island. O número, entretanto, começou a subir desde março, na medida em que as mortes por coronavírus também aumentavam na metrópole americana.

De acordo com Jason Kersten, representante do departamento que supervisiona os enterros, a demanda atual é de mais de 20 corpos por dia, cinco dias por semana.

A abertura de valas e os enterros geralmente são feitos por detentos do sistema penitenciário de Nova York. Um surto da Covid-19 na principal prisão da cidade, entretanto, levou a prefeitura a contratar trabalhadores temporários para executar o serviço.

"Por motivos de distanciamento social e segurança, as pessoas sob custódia sentenciadas na cidade não estão ajudando nos enterros enquanto durar a pandemia", disse Kersten.

Antes do enterro, os mortos são embrulhados em sacos para corpos e colocados dentro de caixões de pinho. Os nomes dos falecidos são escritos em letras grandes na tampa de cada caixão, o que ajuda se um corpo precisar ser desenterrado posteriormente. Depois, os caixões são enterrados em grandes valas abertas por escavadeiras.

A ilha também pode ser usada como um local para enterros temporários, caso as mortes ultrapassem a capacidade dos necrotérios de Nova York, mas esse é um limite que ainda não foi alcançado.

"Todos esperamos que não seja necessário chegar a isso", disse Kersten à Reuters. "Ao mesmo tempo, estamos preparados se isso acontecer."

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