Descrição de chapéu Coronavírus

Coronavírus obriga a evacuação de porta-aviões americano no Pacífico

Covid-19 atinge dezenas de marinheiros e tira de combate símbolo do poder naval dos EUA

São Paulo

Símbolo máximo do poderio militar dos Estados Unidos, um porta-aviões do país começou a evacuar sua tripulação devido a um surto de coronavírus entre seus marinheiros.

O USS Theodore Roosevelt está ancorado em Guam, ilha americana que fica na Micronésia, no Oceano Pacífico, e serve de posto militar avançado de Washington para ações em toda a estratégica região.

O USS Theodore Roosevelt durante exercício na costa da Califórnia, em 2017
O USS Theodore Roosevelt durante exercício na costa da Califórnia, em 2017 - Paul L. Archer - 30.abr.2017/Marinha dos EUA/AFP

Na semana passada, três pessoas da tripulação receberam o diagnóstico do novo coronavírus. Não está claro onde elas pegaram o patógeno, mas sua alta taxa de contágio ficou comprovada: na quarta (1º), já eram 93 os contaminados, e 1.273 testes esperavam resultado.

O gigantesco navio tem cerca de 4.800 tripulantes. Na terça, seu capitão, Brett Crozier, fez um apelo desesperado ao comando da Marinha americana para que pudesse desembarcar o máximo possível de tripulantes.

Foi punido por isso. Nesta quinta (2), a Marinha o dispensou do comando por ter permitido o vazamento do conteúdo de sua carta ao comando, no qual acusava a falta de preocupação dos militares com os tripulantes.

Na quarta, mil marinheiros e marinheiras já estavam em solo, isolados em quarentena de 14 dias em hotéis da ilha. Os doentes foram para hospitais. Eles são quase 10% do total de militares americanos afetados pela Covid-19: 813, segundo o Pentágono, num universo de quase 1,4 milhão de pessoas.

O plano é evacuar mais 2.700 pessoas, deixando um contingente de cerca de 1.000 para manter as funções básicas do navio —a começar pelo seus dois reatores nucleares, que o permitem navegar sem limite de autonomia pelo mundo.

O incidente é extremamente simbólico. Enquanto navios de cruzeiro têm tido problemas no mundo todo para poder aportar com suspeitos de infecção por coronavírus, como é o atual caso do MS Zaandam na costa panamenha, essa é a baixa mais poderosa simbolicamente entre forças militares do mundo.

É sua frota de 11 porta-aviões que garante aos EUA a capacidade única de projetar poder em qualquer canto do mundo. Nem Rússia, com seu arsenal atômico comparável, nem a ascendente China têm tal capacidade.

Dez dos navios são da classe Nimitz, a mesma do Theodore Roosevelt. Lançado ao mar em 1984, ele transporta até 90 aviões e helicópteros, além de mísseis. Hoje há uma geração nova, a Gerald Ford, que tem uma unidade em problemáticos testes no mar.

O navio participou da guerra do Golfo de 1991 e foi o primeiro a lançar ataques de caças contra alvos no Afeganistão em 2001, na retaliação pelo 11 de Setembro. Seu apelido é "Big Stick", o grande porrete em inglês, em homenagem à política externa preconizada pelo presidente do início do século 20 que lhe empresta o nome.

Nunca sofreu danos em combate, embora em 1996 tenha sido abalroado por um cruzador americano numa manobra desastrada.

A última perda em combate de um porta-aviões americano foi em 1944, na Segunda Guerra Mundial. O vírus, contudo, colocou o gigante na lona sem precisar disparar um tiro. Nesta guerra específica, a Marinha americana já enviou dois navios-hospitais para apoiar doentes em seu território.

Isso leva a evidentes preocupações em todas as Marinhas do mundo, a começar pela americana, a mais poderosa, com 121 navios de combate principais e 67 submarinos. A Força tem 337 mil militares espalhados pelo mundo.

No Brasil, que não tem operações navais comparáveis com as de grandes potências como os EUA, a Marinha não suspendeu ações. Não há nenhum grande treinamento em curso, e serviços como salvamento aeronaval prosseguem normalmente.

O Centro de Comunicação Social da Força afirma que mantém protocolos rígidos de segurança sanitária nas embarcações e no pessoal em terra, com medidas preventivas como quarentena para quem voltar de missão no exterior, mesmo sem sintomas.

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