Descrição de chapéu Coronavírus

Equador usa caixões de papelão para suprir demanda de mortos por coronavírus

Doações serão utilizadas para dar 'sepultura digna' aos mortos, diz prefeitura de Guayaquil

Quito | AFP

Guayaquil, cidade mais castigada pelo novo coronavírus no Equador, tenta responder com caixões de papelão à alta demanda provocada pela pandemia, informou neste domingo (5) a Associação de Papeleiros, que doou mil unidades do item a dois cemitérios do município.

A província de Guayas, que está militarizada e cuja capital é Guayaquil, registra a maior incidência da Covid-19 no país, com 2.524 infectados, entre eles 126 mortos.

Funcionários da prefeitura de Guayaquil com caixões de papelão doados que foram doados à cidade - Prefeitura de Guayaquil - 5.abr.20/AFP

Os caixões estão em falta na cidade, assinalou Santiago Olivares, dono de uma funerária. "Vendi 40 que tinha na filial do centro e outros 40 da sede de Durán. Pedi mais dez para o fim de semana e já acabaram."

Os caixões no porto de Guayaquil, motor econômico do Equador, são vendidos por um preço a partir de US$ 400 (R$ 2.100), mas, na cidade, os fornecedores não conseguem atender à demanda.

"Devido ao toque de recolher, não há fornecimento suficiente de material", explicou ele, lembrando que um caixão de papelão não atende às normas sanitárias do governo para o enterro de vítimas da Covid-19.

Os caixões de papelão "serão de grande ajuda para proporcionar uma sepultura digna aos mortos durante esta emergência sanitária", publicou no Twitter a prefeitura de Guayaquil, onde famílias imploram para que as autoridades removam os corpos de residências e ruas.

Devido ao colapso funerário causado pelo coronavírus, famílias têm de conviver durante dias com cadáveres de parentes mortos pelas mais diferentes causas até que chegue um veículo da prefeitura.

Nos casos ligados à Covid-19, por medo de contágio, muitos têm tirado os corpos de casa e os levado para parques ou outras áreas públicas da cidade.

O presidente Lenín Moreno ordenou que as Forças Armadas realizassem uma coleta dos cadáveres o mais rápido possível. Segundo o jornal El Universo, foram recolhidos 350 corpos.

"Nós vamos dar um enterro digno a todos", prometeu Moreno.

O Equador, que reportou 3.646 casos de Covid-19, e 180 mortos, está sob toque de recolher e estado de exceção. Na província de Guayas, por ser a mais afetada pela doença, a restrição de circulação das pessoas vai das 14h às 5h. No restante do país, o toque de recolher começa às 19h. ​

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