Estados dos EUA resistem a reabrir economias enquanto casos de coronavírus crescem no país

Ao mesmo tempo, protestos de grupos conservadores pedem fim da quarentena

Washington e São Paulo | Reuters

Os estados mais afetados pelo novo coronavírus nos EUA têm contrariado o presidente Donald Trump nas suas alegações de que os governos locais têm testes suficientes e devem reabrir rapidamente as economias, no momento em que grupos conservadores em diversos pontos do país protestam contra as quarentenas impostas pelos governadores.

“Eu acho que o governo está tentando acelerar os testes, eles estão fazendo algumas coisas em relação aos laboratórios particulares", afirmou o governador republicano Larry Hogan, de Maryland, à rede CNN.

"Mas dizer que os governadores têm muitos testes e devem começar a trabalhar na testagem [da população], como se de alguma forma não estivéssemos fazendo nosso trabalho, é absolutamente falso", completou.

Centenas de pessoas se aglomeram para protestar contra as ordens de restrição em Olympia, no estado de Washington
Centenas de pessoas se aglomeram para protestar contra as ordens de restrição em Olympia, no estado de Washington - Lindsey Wasson - 19.abr.20/Reuters

O governador democrata Ralph Northam, da Virgínia, disse à CNN que as alegações de Trump e do vice-presidente Mike Pence de que os estados têm ampla capacidade de testagem são “simplesmente ilusórias".

Maryland, Virgínia e o Distrito de Columbia, onde fica Washington, estão registrando aumento nos casos de Covid-19, assim como as cidades de Boston e Chicago. Em contrapartida, o estado de Nova York, epicentro da pandemia nos EUA, mostra tendência de achatamento da curva.

Nova York registrou neste domingo (19) queda nas hospitalizações, de 18 mil para 16 mil, e também diminuição no número de mortes: foram 507 óbitos decorrentes da Covid-19, ante mais de 700 no dia anterior.

"Se os dados se mantiverem e se essa tendência persistir, passamos do pico e todas as indicações neste momento são de que estamos em uma descida. Se esta descida continua ou não depende do que fazemos", disse no domingo o governador de Nova York, Andrew Cuomo, em sua entrevista coletiva diária.

Juntamente com outros governadores, Cuomo está solicitando mais testes para o governo federal. Os líderes de Michigan e Ohio informaram que podem dobrar ou triplicar a capacidade de testes se a Casa Branca os ajudar a adquirir mais cotonetes e reagentes, materiais necessários para os diferentes tipos de testagem.

O alto nível de testagem é uma das diretrizes da Casa Branca para a retomada graudal da atividade econômica. As outras são a de que ela ocorra em locais com capacidade hospitalar mínima exigida pelo CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças) e diminuição sustentada dos casos de Covid-19 por 14 dias.

O problema é que estas condições inexistem na maioria dos estados. Apesar disso, Ohio, Texas, Flórida e outras regiões deram sinais de que pretendem reabrir parcialmente suas economias em torno do dia 1º de maio.

Com uma série de postagens no Twitter na sexta (17), Trump pareceu encorajar manifestantes que querem que as quarentenas sejam extintas rapidamente. O republicano pediu na rede social que os estados de Virginia, Minnesota e Michigan sejam “libertados”, um referência indireta ao fechamento econômico imposto pelos governadores.

Protestos exigindo a reabertura da economia aconteceram em alguns pontos do Texas, Wisconsin e nas capitais de Ohio, Minnesota, Michigan e Virgínia. No sábado (18), várias dezenas de manifestantes se reuniram na capital do Texas, Austin, cantando "EUA! EUA!" e "vamos trabalhar!”.

Em Brookfield, Wisconsin, centenas de pessoas agitaram bandeiras americanas para protestar contra a extensão das ordens estaduais para que as pessoas fiquem em casa.

Os manifestantes ignoraram as regras de distanciamento social e não usaram máscaras —a proteção facial é recomendada pelas autoridades de saúde pública como medida de prevenção ao vírus.

O governador Jay Inslee, de Washington, atacou Trump, dizendo que o republicano está incentivando as pessoas a violar as leis estaduais de auto-isolamento.​

"Essas ordens são realmente a lei desses estados", afirmou Inslee. “Ter um presidente que encoraja as pessoas a violarem a lei, não me lembro de nenhum momento em meu tempo nos EUA em que tenhamos visto algo assim."

Os EUA têm de longe o maior número de casos confirmados de coronavírus no mundo, com mais de 730 mil infecções e mais de 39,6 mil mortes.

Dados desta semana mostram que 22 milhões de trabalhadores —número recorde na história do país— perderam seus empregos no primeiro mês das medidas de isolamento social e se inscreveram para obter ajuda financeira do governo.

Há a possibilidade de que o Congresso aprove ainda neste domingo um acordo liberando fundos extras para o socorro de pequenas empresas afetadas pela pandemia de coronavírus.​

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