Descrição de chapéu Coronavírus

Estados governados por republicanos ensaiam retomada desejada por Trump

Texas, Tennessee, Carolina do Sul e Geórgia testam ações para reabrir economia

Austin (Texas)

Uma semana após o presidente Donald Trump anunciar seu plano de reabertura da economia, os Estados Unidos começam a ver medidas serem implementadas para afrouxar o isolamento social em razão da Covid-19.

Entre esta sexta (24) e o início da próxima semana, estados como Texas, Tennessee, Carolina do Sul e Geórgia testarão, em graus distintos, ações para tentar reduzir o impacto da suspensão de atividades econômicas adotada em março. Os quatro são governados por políticos do Partido Republicano, de Trump.

Donald Trump fala durante entrevista coletiva sobre a pandemia de coronavírus nos EUA - Mandel Ngan - 23.abr.2020 / AFP

Maior economia do mundo, os EUA são recordistas no número de contaminados e de mortos da pandemia —mais de 864 mil e 49 mil pessoas, respectivamente, segundo a Universidade Johns Hopkins.

São outros os dados que levaram Trump a defender uma retomada "rápida, muito rápida" da economia do país, como ele disse no dia 16 de abril. Nas últimas cinco semanas, 26 milhões de americanos perderam o emprego.

O setor de serviços foi um dos mais atingidos. Lojas, restaurantes e bares tiveram que fechar as portas. A reabertura agora será de maneira distinta em cada estado.

No Texas, o governador Greg Abbott promete uma retomada "lenta e gradual". Nesta sexta, lojas que estavam fechadas poderão abrir com funcionários, mas sem receber clientes em ambientes fechados.

O governo estadual divulgou um guia com normas, que permitem que consumidores retirem produtos na porta dos estabelecimentos e que recebam compras em casa.

Em entrevistas a rádios locais, o governador texano já antecipou que o relaxamento das medidas deverá aumentar na próxima semana, com a possível abertura de salões de beleza e restaurantes.

"Agora estamos começando a ver que o pior pode ter passado", disse Abbott. Segundo ele, o número de mortos, embora trágico, "não chegou nem perto das previsões terríveis e precoces".

Até esta quinta (23), mais de 500 pessoas já tinham morrido em razão da Covid-19 no Texas. Com maior número de vítimas, a Geórgia (800 mortes) prevê um plano mais radical de afrouxamento das medidas de isolamento.

Segundo dados da Johns Hopkins, o número de casos no estado dobrou nas últimas duas semanas.

Mesmo assim, o governador republicano Brian Kemp anunciou que a partir desta sexta serviços como academias, salões de beleza e boliches, que estavam fechados desde março, poderão voltar a abrir. Os restaurantes estarão liberados para funcionar na segunda (27).

A divulgação das medidas na última segunda assustou até mesmo Trump, que já negou a gravidade da pandemia e prometeu que o comércio estaria aberto na Páscoa.

"Ele [Kemp] deve fazer o que achar certo, mas eu discordo das medidas anunciadas", afirmou Trump. "Ainda é muito cedo [para abrir estabelecimentos comerciais]."

Aliado do presidente, Kemp não recuou e confirmou as medidas na quinta. "Acho que essa é a abordagem correta na hora certa."

A decisão foi criticada pela prefeita de Atlanta (maior cidade da Geórgia), a democrata Keisha Lance Bottoms. “Continuarei pedindo aos moradores da cidade que fiquem em casa, fiquem seguros e tomem decisões com base nos melhores interesses de suas famílias”, disse.

O poder para determinar a abertura do comércio e de outras atividades econômicas nos EUA é dos governadores. Por isso, o guia lançado por Trump no dia 16 teve caráter de orientação, já que os estados não são obrigados a seguir as medidas.

O plano traçado pela Casa Branca define três critérios para os estados iniciarem uma abertura: declínio no número de casos confirmados e no total de registros de pessoas com sintomas e que ainda não receberam diagnóstico nos últimos 14 dias, e garantia de atendimento por parte dos hospitais, que devem ter um programa "robusto de testes".

Epidemiologistas criticaram os critérios adotados pelo governo. Especialistas da universidade Johns Hopkins, por exemplo, defendem adoção de mais metas para liberar a abertura.

Entre elas, eles citam a capacidade de testar todos os pacientes com sintomas de Covid-19 e as pessoas que tiveram contato com eles —o que não está sendo feito em escala no país.

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