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Ópera siciliana de 140 anos vira filme para ajudar vítimas do coronavírus

Diretor italiano filmou versão de 'Cavalleria Rusticana', que se passa na Páscoa; renda vai ajudar entidade no Brasil

Bruxelas

Traição, ciúmes e morte marcam o domingo de Páscoa num vilarejo da Sicília. Foi em 1890, no enredo da ópera “Cavalleria Rusticana”, mas 140 anos depois a história está sendo usada para ajudar comunidades pobres atingidas pelo coronavírus, inclusive no Brasil.

Filmada no povoado siciliano em que se passa a história, Vizzini, e encenada por seus moradores, uma versão da obra de Pietro Mascagni será lançada na internet neste domingo (12), para coincidir com o momento do enredo.

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Cena do filme 'Cavalleria Rusticana', baseado na ópera de mesmo nome; renda vai ajudar entidade no Brasil a combater o coronavírus - YouTube/Reprodução

Entre os moradores-atores está o padre italiano Enzo Mangano, 68, que por 30 anos trabalhou no Brasil.

Pároco de uma região com 80 mil pessoas “na periferia da periferia” de Porto Velho, ele fundou na capital de Rondônia a Associação São Tiago Maior.

A associação tem uma escola de ensino fundamental para 1.650 crianças, um ambulatório e uma escola profissionalizante de cerâmica, uma das especialidades da região siciliana onde o padre nasceu.

Mas Mangano não esperou uma decisão de governos brasileiros para agir contra a pandemia: suspendeu as atividades no dia 20 de março.

“Vi o estrago que essa doença fez aqui na Itália. Sei que vai ser ainda pior nas comunidades sem estrutura. Precisamos tomar todas as medidas para impedir o contágio”, diz ele.

Sua preocupação não é apenas com as mortes provocadas pela doença, mas com o impacto na renda dos moradores da região.

“Já distribuíamos cestas básicas para os mais pobres, mas a situação piorou muito. Estamos perdendo o jogo”, disse ele à Folha por telefone, de Caltagirone, na Sicília.

É neste ponto que entra o filme de Lorenzo Muscoso, autor de documentários em parceria com o Ministério do Patrimônio Cultural da Itália, o Parlamento Europeu e a administração da base militar de Sigonella, na Sicília, da qual participam a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Marinha dos EUA e a Força Aérea italiana.

Num de seus projetos, Muscoso conheceu Mangano e o convidou para interpretar o padre que reza a missa de Páscoa após a qual a tragédia se desenrola na “Cavalleria Rusticana”.

“O filme vinha sendo feito há alguns anos e finalmente ficou pronto. Este é um momento também dramático, em que as pessoas que padre Enzo ajuda estão enfrentando grandes dificuldades. Decidi colocá-lo na internet para ajudar as famílias prejudicadas pelo coronavírus”, disse o diretor.

A receita obtida com o filme, que pode ser baixado no site oficial do projeto ou alugado na plataforma Vimeo (por US$ 3,25, ou R$ 16,60), será revertida para ações que combatem danos da pandemia, entre elas a São Tiago Maior.

Para os hospitais, a exibição será gratuita. “A arte pode curar. Quero que o filme seja um presente para os pacientes forçados a ficar sozinhos”, afirma Muscoso.

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