Descrição de chapéu Coronavírus

Pandemia gera impacto sem precedentes na venda de bens de consumo nos EUA

Compras de alimentos, bebidas e produtos de higiene pessoal aumentam US$ 8,5 bi em março

Washington

Não é segredo que a pandemia do coronavírus terá impacto severo na economia dos EUA. As projeções do governo americano e da maioria dos analistas apontam para uma desaceleração geral e um vertiginoso aumento do desemprego a médio e longo prazos no país.

Mas um setor apresentou mudança positiva e sem precedentes ao menos nas duas semanas que sucederam o anúncio de emergência nacional nos EUA: as vendas de bens de consumo.

Dados divulgados pela Nielsen, responsável por fazer pesquisas de mercado, mostram que o total de vendas de CGP (sigla em inglês para bens de consumo embalados) aumentou US$ 8,5 bilhões (R$ 44 bilhões) nas duas semanas que terminaram em 21 de março, em comparação com os 15 dias anteriores.

longa fila de carinhos de compra em estacionamento de loja
Em Los Angeles, americanos enfrentam longas fila em mercado - Qian Weizhong - 14.mar.20/Xinhua

Isso representa 15 vezes a taxa média de alteração para um período de duas semanas e é considerado inédito mesmo nos últimos dois anos, quando o setor apresentou melhora nos índices, devido ao avanço da tecnologia e da infraestrutura.

Os bons resultados de março foram registrados tanto nas lojas online quanto nas físicas, porém, em intensidades diferentes. O aumento das vendas online foi mais amplo, de 91%, enquanto as lojas físicas registraram alta de 45% em relação às duas semanas anteriores.

As regras de distanciamento social e as restrições de circulação nos EUA mudaram o comportamento do consumidor, que passou a comprar mais esses produtos, mas especialistas alertam que o efeito pode ser revertido à medida em que as pessoas começarem a perder renda diante da crise.

Com bares e restaurantes fechados, os cidadãos precisam comer em casa e passaram a fazer muitos pedidos de entrega.

Alguns dos que optam por ir ao supermercado, atividade permitida por ser considerada essencial, têm tido necessidade de fazer isso com mais frequência do que nos períodos pré-pandemia.

Com mais de 486 mil casos registrados nos EUA —e cerca de 21,7 mil mortos—, 95% dos americanos estão hoje sob algum tipo de restrição social, sendo que as orientações da Casa Branca devem durar pelo menos até 30 de abril.

O governo começou a ensaiar um discurso de reabertura para 1° de maio, mas ainda está pouco claro se será mesmo possível relaxar as normas com o país registrando hoje mais de 2.000 mortes por dia.

O levantamento da Nielsen revela que os departamentos não têm sentido o pico de vendas igualmente, e que há discrepância, por exemplo, entre o volume de compra dos produtos perecíveis —mais vendidos em lojas físicas— e não perecíveis, campeões nas online.

Os principais sites de supermercado online nos EUA têm apresentado, desde o início da crise, atraso ou pouca disponibilidade de datas para entrega, além de escassez de produtos, mostrando que o sistema não estava preparado para esse aumento da demanda.

Vários americanos dizem esperar fazer compras online com mais frequência desde meados de março —muitos deles experimentaram o roteiro, inclusive, pela primeira vez durante a pandemia.

A expectativa, segundo o estudo, é que as taxas de compras online continuem subindo.

Nas duas semanas que se encerraram em 21 de março, o aumento dos consumidores online foi de 35%, mas há o alerta para que as empresas melhorem seus serviços e passem a garantir experiências mais positivas ao consumidor se quiserem manter bons índices de venda.

Analistas, no entanto, dizem que o problema é de outra ordem. Com o avanço da crise e a desaceleração em diversos setores da economia, as famílias vão começar a perder renda e passar a comprar menos.

"Tem setores que são afetados mais diretamente, como aviação e turismo. Em outros, o impacto talvez demore mais, como comércio e varejo. A desaceleração vai ser geral, com alguma diferença no tempo, mas o impacto virá de todos os lados", diz Livia Honsel, da agência de risco S&P.

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