Descrição de chapéu Coronavírus

Papa pede esperança em vigília de Páscoa adaptada para o coronavírus

Cerimônia reuniu cerca de 20 pessoas em vez das 10 mil usuais na Basílica de São Pedro

Philip Pullella
Cidade do Vaticano | Reuters

Na missa de vigília da Páscoa realizada na Basílica de São Pedro neste sábado (11), o papa Francisco pediu que as pessoas "não cedam ao medo" e foquem uma "mensagem de esperança" para enfrentar a pandemia do novo coronavírus.

A cerimônia, que em anos anteriores reuniu cerca de 10 mil pessoas, tinha aproximadamente 20 presentes, contando ajudantes sacerdotais e um coral reduzido.

papa reza missa em igreja acompanhado de cerca de 10 pessoas
O papa Francisco reza a tradicional missa de vigília de Páscoa na Basílica de São Pedro, no Vaticano - Vatican Media/Reuters

O surto do novo coronavírus ainda fez com que outras tradições da vigília fossem eliminadas, como o batismo de adultos convertidos ao catolicismo e a longa procissão que costumava se estender pelo corredor principal da igreja.

Na última sexta-feira (10), Francisco já tinha celebrado a missa da Paixão de Cristo numa basílica vazia.

Já na homilia deste sábado (11), o pontifíce comparou a incerteza dos tempos atuais a uma passagem da Bíblia em que mulheres encontram a tumba de Jesus vazia no dia em que, segundo a tradição, ele ressuscitou.

"Naquele momento, também havia um medo sobre o futuro e tudo o que precisaria ser reconstruído. Uma memória dolorosa, um atalho para a esperança. Para eles, assim como para nós agora, aquela era a hora mais sombria", disse o pontífice.

"Não se assustem, não cedam ao medo: essa é a uma mensagem de esperança. Ela é trazida para nós, agora. São essas as palavras que Deus repete para nós nesta noite."

Francisco ainda encorajou as pessoas a serem "mensageiras da vida em um momento lúgubre" e voltou a condenar o comércio de armas e a pedir que aqueles que têm condições financeiras ajudem os mais pobres.

"Que silenciemos os gritos de morte, não mais guerras! Que acabemos com a produção e o comércio de armas, uma vez que precisamos de pão, e não delas. Que os abortos e a matança dos inocentes acabem. Que os corações daqueles que têm o suficiente estejam abertos para encher as mãos vazias dos que não têm as necessidades básicas atendidas."

Em países de todo o mundo, católicos assistiram à cerimônia de vigília –fosse aquela celebrada por Francisco ou por outros padres, de suas igrejas locais vazias– pela televisão ou pela internet.

Todas as atividades da Semana Santa do papa foram modificadas de modo a evitar a participação do público.

O mesmo acontecerá com o evento principal do domingo de Páscoa, quando o papa reza uma missa e transmite a sua bênção "Urbi e Orbi", à cidade e ao mundo, uma das mais importantes do catolicismo.

O evento costuma atrair até 100 mil pessoas para a praça São Pedro. Neste ano, porém, ele será realizado dentro da basílica, de novo com uma congregação simbólica de menos de 20 pessoas.

Vale lembrar que essa será a segunda vez em menos de um mês que Francisco rezará a "Urbi e Orbi", em geral reservada a ocasiões especiais, na basílica vazia.

No dia 27 de março, ele apelou para a prece para encorajar a luta contra o coronavírus, em frente a um crucifixo considerado sagrado.

A bênção permite que os mais de 1,3 bilhão de católicos no mundo obtenham a indulgência plenária, ou seja, o perdão de seus pecados.

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