Descrição de chapéu The New York Times

Sumiço de Kim Jong-un e silêncio da Coreia do Norte alimentam rumores

Relatos de que ditador teria morrido ou estaria em estado grave têm aparecido na mídia, sem confirmação

Choe Sang-Hun
Seul | The New York Times

A Coreia do Norte ainda está mandando cartas e presentes para líderes estrangeiros e trabalhadores coreanos em nome de seu líder, Kim Jong-un. A mídia do país ainda brilha, como de hábito, com propaganda panegírica exaltando a liderança de Kim.

A Coreia do Sul reitera que não detectou "nada fora do comum" no norte. A posição oficial do governo, segundo afirmou um porta-voz da Presidência à Fox News neste domingo (27), é que o ditador está “vivo e bem”.​

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que são incorretas e falsas as notícias de que Kim estava em grave perigo após uma cirurgia.

Tudo isso fez pouco para parar a agitada usina de rumores sobre a saúde de Kim e o destino do Estado nuclear —pela simples razão de que a Coreia do Norte não registrou uma aparição pública de seu líder por duas semanas. Nem respondeu às informações sombrias sobre sua saúde.

A falta de informação real do país hermético fez crescer rumores desenfreados, deixando especialistas norte-coreanos, oficiais estrangeiros e agências de inteligência escavando por todo lado por sinais da verdade.

Dependendo do veículo de mídia ou do post de mídia social, Kim, que, acredita-se, tem 36 anos, está se recuperando depois de um pequeno problema de saúde como um tornozelo torcido, ou está em grave perigo após uma cirurgia no coração.

Ou ele teve morte cerebral ou está em estado vegetativo após uma cirurgia na válvula do coração que deu errado, nas mãos de um cirurgião norte-coreano nervoso ou um dos médicos que a China despachou para tratá-lo. Ou Kim está de cama com Covid-19. De onde ele pegou? De um daqueles médicos chineses.

Seul questionou a exatidão das notícias não confirmadas, enquanto a mídia sul-coreana parece recusar a maior parte delas como rumores.

Mas eles não podem ser completamente ignorados, já que a Coreia do Norte mantém tanto segredo que as mais poderosas agências de inteligência têm sido incapazes de penetrar nos círculos internos do governo de Kim.

Kim apareceu publicamente pela última vez no dia 11 de abril, quando presidiu uma reunião do gabinete do governo. Especulações sobre sua saúde começaram a surgir depois que ele faltou a celebrações de Estado no maior feriado do país, em 15 de abril, aniversário de seu avô e fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung.

Os rumores escalaram depois que o Daily NK, um website baseado em Seul que se apoiava em fontes anônimas do norte, reportou na segunda-feira (21) que Kim se recuperava de cirurgia cardíaca feita em 12 de abril.

No dia seguinte, a CNN entrou no frenesi, reportando que Washington estava monitorando a informação de que Kim estava "em grave perigo". No sábado (25), o tabloide TMZ, especializado em celebridades, divulgou: "Ditador da Coreia do Norte Kim Jong-un supostamente morto após cirurgia cardíaca malfeita".

Não é a primeira vez que Kim desaparece da vista pública por semanas ou que enfrenta especulações sobre sua saúde. Mas o estranho culto à personalidade ao redor dele reforça os rumores.

Autoridades têm cuidado em não derrubar de uma vez os rumores, em parte porque previsões anteriores sobre a Coreia do Norte às vezes se provaram erradas. Reportagens sobre o país também se mostraram repletas de erros.

Altos oficiais que surgiram em notíciais como executados, com frequência, reapareceram. Alguns defectores que alimentam a mídia com informação foram acusados ou admitiram que enfeitavam suas declarações.

Em 1986, um jornal sul-coreano reportou um "furo mundial" que dizia que o avô de Kim, Kim Il-sung, havia morrido em um ataque armado. Um sorridente Kim Il-sung reapareceu dois dias depois.

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