De máscara, Keiko Fujimori deixa prisão sob fiança no Peru

Líder opositora é acusada de envolvimento no escândalo da Odebrecht

Lima | AFP

A líder opositora peruana Keiko Fujimori foi liberada nesta segunda-feira (4) após três meses de prisão. Ela estava detida desde 29 de janeiro por suspeita de lavagem de dinheiro de contribuições ilegais que teria recebido da construtora brasileira Odebrecht para suas campanhas presidenciais de 2011 e 2016.

A primogênita do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000) saiu de máscara e luvas da prisão feminina de Chorrillos, no sul de Lima, quatro dias após obter uma decisão favorável em um recurso apresentado ao tribunal de apelações.

Vestida com um casaco cinza, ela pediu um táxi e seguiu para casa.

Keiko Fujimori veste máscara ao deixar a prisão em Lima, no Peru, nesta segunda (4)
Keiko Fujimori veste máscara ao deixar a prisão em Lima, no Peru, nesta segunda (4) - Ernesto Benavides/AFP

Keiko, 44, é chefe do partido Força Popular Fujimorista e estava perto de ganhar a Presidência em 2011 e 2016, favorecida pela popularidade de seu pai, que cumpre uma sentença de 25 anos por violações de direitos humanos.

Antes de sua saída, ela anunciou numa rede social que ao chegar em sua casa no leste de Lima faria um teste para coronavírus antes de se encontrar com suas filhas.

"A primeira coisa que vou fazer depois de chegar a minha casa é ser testada, para não colocar em risco a minha família. Decidimos que enquanto não tivermos o resultado, não poderei me reunir com minhas filhas", escreveu.

Canais de televisão mostraram que do lado de fora de sua casa um funcionário de um laboratório privado a esperava para realizar o teste.

A Justiça peruana concedeu sua liberdade sob fiança de US$ 20 mil (cerca de R$ 111 mil), mas a proibiu de conviver com seu marido, o americano Mark Vito Villanella —ele também está sendo investigado.

O escândalo de pagamentos ilegais da Odebrecht envolveu dezenas de oficiais de vários governos peruanos, incluindo quatro ex-presidentes.

O ex-presidente Alan García (1985-1990 e 2006-2011) se matou em 17 de abril de 2019, quando seria preso, enquanto Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) renunciou e está em prisão domiciliar.

Ollanta Humala (2011-2016) e sua esposa foram presos por nove meses e aguardam julgamento.

O também ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006), detido nos Estados Unidos desde julho de 2019, obteve recentemente prisão domiciliar, alegando que poderia contrair a Covid-19.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.