Descrição de chapéu Governo Trump

Em guerra com Twitter, Trump incita intimidação a funcionário da empresa

Yoel Roth recebe ameaças de morte após conselheira do presidente estimular perseguição, diz site

São Paulo

Depois de o Twitter classificar como falsas duas publicações do presidente americano, Donald Trump, o republicano lançou na quarta (27) uma campanha de intimidação contra um funcionário da empresa.

De acordo com o site The Verge, os ataques partiram de Kellyanne Conway, conselheira de Trump, que chamou o chefe de integridade do Twitter, Yoel Roth, de "horrível" em uma entrevista para a Fox News.

Ela, que encontrou tuítes anteriores nos quais o funcionário da empresa critica Trump, pediu aos telespectadores que fossem atrás de Roth.

"Alguém em São Francisco vá acordá-lo e diga que ele está prestes a ganhar muito mais seguidores", disse, no ar.

Logo em seguida, apoiadores do republicano começaram a compartilhar capturas de tela dos posts do funcionário. Roth passou a receber ameaças de morte e a sofrer assédio e abuso, de acordo com o site de notícias Protocol, fundado pelo mesmo publisher do jornal Politico.​

Donald Trump durante entrevista coletiva na Flórida - Saul Martinez -27.mai.2020/Getty Images/AFP

Na terça (26), a rede social havia adicionado um alerta junto a mensagens nas quais Trump afirma que votações por correio comprometem a validade de uma eleição.

A notificação —um ponto de exclamação azul— orienta usuários a "obterem informações sobre as cédulas por correio" e os direciona a uma página com notícias e artigos de checagem de fatos que desmentem as alegações de Trump.

Trump tem atacado estados que querem expandir a votação por correio como forma de possibilitar que mais eleitores votem e também de garantir mais segurança em meio à pandemia de coronavírus.

O Comitê Nacional Republicano processou o estado da Califórnia no fim de semana devido a um plano de expansão da votação por correio apresentado pelo governador democrata Gavin Newsom.

Em resposta à intimidação lançada pela Casa Branca, o Twitter afirmou que não tomará nenhuma medida contra seu empregado e que a sinalização dos tuítes do presidente não havia sido feita por Roth.

"Ninguém no Twitter é responsável por nossas políticas ou ações de reforço, e é lamentável ver funcionários individuais serem alvo de decisões tomadas pela empresa", disse um porta-voz da companhia ao site The Verge.

A empresa confirmou que essa foi a primeira vez que aplicou uma etiqueta de verificação de fatos a tuítes do presidente sob sua nova política, introduzida neste mês, para combater desinformação sobre a Covid-19.

O Twitter disse ainda que estenderia as regras adotadas a publicações com informações controversas ou enganosas sobre o coronavírus a outros tópicos.

Roth é membro de uma equipe cujo trabalho é fazer valer as regras da rede social. Ele se dedica a "identificar e investigar suspeitas de manipulação de plataforma", como diz em seu blog na página da empresa, removendo contas falsas ligadas a causas ou movimentos.

Em 2018, por exemplo, ajudou no esforço que resultou na suspensão de 130 contas falsas da Espanha diretamente associadas ao movimento de independência da Catalunha, que divulgavam conteúdo sobre o referendo sobre a separação da região espanhola do restante do país.

"Abrir contas falsas é uma violação das regras do Twitter, ponto", explicou.

Trump pode tomar ainda outra ação que afetará diretamente o Twitter. Ele ameaçou assinar nesta quinta (28) a revisão da Seção 230, lei que protege as empresas de internet da responsabilidade pelo conteúdo postado por seus usuários.

Também ordenaria uma revisão do que chamou de "práticas desleais ou enganosas" do Facebook e do Twitter.

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