Em vídeo, americano detido na Venezuela diz que pretendia sequestrar Maduro

Mercenário mostrou contrato de serviço em imagens exibidas por TV estatal

Caracas (Venezuela) | Reuters

Em um vídeo exibido pela VPI, TV estatal venezuelana, um dos americanos detidos pelo governo do país disse que pretendia, junto a outros mercenários, sitiar Caracas e levar o ditador Nicolás Maduro para os EUA.

Nesta segunda-feira (4), Maduro afirmou em um discurso televisionado que 13 pessoas, a quem chamou de terroristas, foram capturadas durante tentativa de invasão do país pelo mar. Oito pessoas foram mortas na operação, segundo Caracas.

Dois dos capturados são os americanos Airan Berry e Luke Denman —o ditador mostrou o que disse serem os passaportes e outros documentos de identificação dos homens.

Em imagens apresentadas pela TV estatal, um americano responde a perguntas em inglês de uma pessoa que não aparece no vídeo.

O americano se apresenta como Luke Denman, diz que tem 34 anos, vive em Austin, no Texas, e afirma que fez parte do Exército dos EUA durante cinco anos.

Depois, diz que foi contratado pela Silvercorp para treinar grupos de venezuelanos na Colômbia, ir com eles para Caracas, capturar Maduro e levá-lo aos EUA.

Em outro trecho, o entrevistador pergunta a Denman: “Por que Trump insiste em invadir a Venezuela, se o país não representa uma ameaça para os EUA?”. O americano responde apenas não saber a razão.

Mais adiante, o entrevistador questiona o mercenário se ele se sentiria bem caso seu país fosse invadido e tentassem assassinar seu presidente. Denman responde que “não, porque isso resultaria em uma guerra mundial”.

Ao final do vídeo, o americano mostra a cópia de um documento pelo qual Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, teria contratado o serviço de sequestro de Maduro.

Denman diz que o documento está assinado por Guaidó e Jordan Goudreau, fundador da Silvercorp e veterano das Forças Armadas dos EUA.

Depois da exibição do vídeo de Denman, Maduro diz pela TV estatal que “Donald Trump é o líder direto dessa invasão”.

Goudreau afirmou à agência Reuters ter participado da operação e disse que Berry e Denman também estavam envolvidos.

Em nota, Guaidó negou as acusações e disse não ter nenhum envolvimento com a Silvercorp.

O presidente americano também negou participação no caso. Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, disse que seu governo usará “todas as ferramentas” para assegurar o regresso dos americanos, se eles ainda estiverem na Venezuela.

Em março, o Departamento de Justiça americano acusou de narcoterrorismo Maduro e aliados e estabeleceu uma recompensa de até US$ 15 milhões (R$ 75 milhões) por informações que levem à captura ou à condenação do político.

Em entrevista coletiva na segunda-feira, o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, aliado de Maduro, apresentou uma cópia do contrato da operação da Silvercorp para jornalistas e disse que irá investigar o caso.

Saab mostrou ainda um vídeo em que o próprio Goudreau afirma que uma operação para derrubar Maduro estava em andamento.

Segundo o regime, entre os presos na ação está o capitão dissidente Antonio Sequea, um dos 30 militares que se rebelaram contra Maduro em 30 de abril do ano passado, em operação liderada por Guaidó.

Saab também disse que a operação teria custado US$ 212 milhões (R$ 1,1 bilhão). A ação teria sido paga com dinheiro roubado da estatal petrolífera PDVSA e com montantes das contas venezuelanas bloqueadas por Washington e por outros países.

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