Descrição de chapéu Governo Trump

Em Jerusalém, Pompeo volta a defender anexação de partes da Cisjordânia por Israel

Secretário de Estado afirma que ação deve seguir plano do governo Trump para a região

Jerusalém | Reuters

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse durante visita a Israel nesta quarta-feira (13) que a anexação planejada da Cisjordânia deve ser feita de acordo com o plano de paz elaborado por Washington.

Pompeo conversou com o premiê Binyamin Netanyahu e com o agora ex-rival político do primeiro-ministro, Benny Gantz, um dia antes da posse da coalizão formada pelos dois.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (esq.), com o líder do partido Azul e Branco, Benny Gantz, em Jerusalém
O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (esq.), com o líder do partido Azul e Branco, Benny Gantz, em Jerusalém - Sebastian Scheiner/Reuters

O novo governo planeja começar a debater em julho a extensão de sua soberania aos assentamentos israelenses e ao estratégico Vale do Jordão, na Cisjordânia, território que Israel conquistou com a Guerra dos Seis Dias (1967) e que os palestinos reivindicam para a formação de um Estado próprio.

Em entrevista ao jornal israelense Hayom, no qual foi citado em hebraico, Pompeo disse que os movimentos territoriais sobre a Cisjordânia são uma decisão que Netanyahu e Gantz têm o direito de tomar.

Mas o secretário de Estado americano observou que a questão era complexa e exigia coordenação com Washington, que formou uma equipe conjunta com Israel para mapear novas linhas territoriais na região —uma ação contida no plano de Trump para o Oriente Médio.

Os palestinos rejeitaram o documento, segundo o qual a maioria dos assentamentos da Cisjordânia seria incorporada a um "território israelense contíguo".

O plano da gestão Trump prevê um Estado palestino sob controle quase total das forças de segurança israelenses. O território seria composto por porções de terra na Cisjordânia, bem como a Faixa de Gaza na costa do Mediterrâneo e duas regiões de território no deserto de Negev, ao sul de Israel.

As medidas pró-Israel de Trump têm sido vistas como um esforço para aumentar seu apelo junto aos eleitores cristãos evangélicos, que compõem uma importante parte de sua base política —o republicano disputa a reeleição em novembro.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, durante discurso em Ramat Gan, perto de Tel Aviv
O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, explica seus planos de anexar partes da Cisjordânia em setembro de 2019, uma semana antes de eleições no país - Amir Cohen - 10.set.19/Reuters

Em um discurso televisionado na noite de quarta, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse que os palestinos revisariam seus acordos de paz com Israel e com os Estados Unidos caso o vizinho anexasse as terras da Cisjordânia.

Os palestinos consideram ilegais, sob a ótica do direito internacional, os assentamentos de Israel, uma posição compartilhada com a maioria das potências mundiais.

Após os líderes palestinos avisarem que a anexação pode pôr em risco a cooperação já limitada entre os lados, houve um aumento na violência na Cisjordânia.

Na quarta-feira, as forças israelenses mataram um adolescente palestino durante uma operação perto da cidade de Hebron, segundo o Ministério da Saúde da Palestina.

As Forças Armadas israelenses disseram que os palestinos atiraram pedras e bombas. Um dos soldados ficou levemente ferido.

Um dia antes, um palestino atirou pedras contra um soldado israelense que participava de uma operação de detenção perto da cidade de Jenin —o militar morreu.

Os palestinos tentaram convencer os europeus a se oporem a qualquer anexação israelense. A França pressiona a União Europeia a considerar a adoção de sanções econômicas caso Israel declare soberania na Cisjordânia.

Países árabes, incluindo Jordânia e Egito, alertaram contra a anexação israelense —vizinhos de Israel são os únicos países árabes a assinar tratados de paz com Tel Aviv.

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