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Irlandeses retribuem favor histórico e fazem doações a indígenas americanos afetados pela pandemia

No século 19, povos nativos dos EUA ajudaram irlandeses a superar período de fome

Bauru

Uma comunidade de indígenas americanos afetada pela pandemia de coronavírus está recebendo doações de irlandeses em retribuição a um favor histórico feito no século 19.

Em 1847, povos nativos dos Estados Unidos, da tribo Choctaw, enviaram dinheiro para uma comunidade irlandesa que passava por um grave período de fome.

Agora, os irlandeses estão retribuindo o favor por meio de uma arrecadação online para a tribo Navajo, que registrou mais de 70 mortes e 2.300 casos da Covid-19.

Voluntários da tribo Navajo organizam campanha de doações para enfrentar a pandemia
Voluntários da tribo Navajo organizam campanha de doações para enfrentar a pandemia - Reprodução / YouTube

De acordo com os organizadores da campanha, os Navajo hoje são cerca de 180 mil pessoas, das quais 40% não têm acesso a água corrente e 10% não têm eletricidade.

"Essas comunidades podem ser devastadas pelo coronavírus. Queremos ajudar esses indivíduos, especialmente idosos, pessoas nos grupos de risco e famílias com crianças a terem acesso a comida, água e outros itens essenciais para enfrentar a pandemia. A necessidade é muito grande", diz o texto na página da campanha.

As arrecadações começaram em março, antes mesmo de os Navajo terem confirmado seu primeiro caso de contaminação por coronavírus. Até esta quarta-feira (6), foram doados mais de US$ 2,4 milhões (R$ 13,4 milhões), grande parte por irlandeses.

"Um pequeno ato de bondade para ajudar a retribuir a grande bondade dada ao povo irlandês há muito tempo. Enviando amor e esperança para vocês e suas famílias nestes tempos de incerteza", escreveu uma doadora da Irlanda.

Quando ajudou os irlandeses no século 19, a tribo Choctaw estava entre os cerca de 60 mil nativos americanos que foram forçados a abandonar seus lares ancestrais. Apesar dos meios limitados, os Choctaw enviaram dinheiro, alimentos, cobertores e ração para o gado dos irlandeses.

"Os povos Choctaw e Navajo ajudaram os irlandeses durante a Grande Fome, a despeito de seu próprio sofrimento. Quando eu aprendi sobre isso, nunca esqueci. Agora é história, mas ainda estamos agradecidos. Obrigado!", disse outro doador irlandês.

No Brasil, a ameaça de genocídio dos povos indígenas levou o fotógrafo Sebastião Salgado a mobilizar personalidades do mundo todo em torno de um manifesto que exorta o Estado brasileiro a proteger essas populações.

“Diante da urgência e da seriedade dessa crise, como amigos do Brasil e admiradores de seu espírito, cultura, beleza, democracia e biodiversidade, apelamos ao presidente da República, sua excelência senhor Jair Bolsonaro, e aos líderes do Congresso e do Judiciário a adotarem medidas imediatas para proteger as populações indígenas do país contra esse vírus devastador.”

“Esses povos são parte da extraordinária história de nossa espécie. Seu desaparecimento seria uma grande tragédia para o Brasil e uma imensa perda para a humanidade. Não há tempo a perder”, afirma o manifesto.

Subscrevem a iniciativa Madonna, Paul McCartney, Sting, Sylvester Stallone, Pedro Almodóvar, Brad Pitt, Meryl Streep, Ai Weiwei, Tadao Ando, Werner Herzog e o príncipe Albert 2º, de Mônaco, entre outros nomes de renome internacional.

Do Brasil, assinam Gisele Bündchen, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Luciano Huck, Fernando Meirelles, João Carlos Martins, Carlos Nobre e Beatriz Milhazes, além de Salgado e da designer Lélia, sua mulher.

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