Partido de Macron perde maioria na Assembleia após grupo deixar a sigla

Deputados discordam de parte das políticas pró-mercado do presidente e temem fortalecimento da ultradireita

Paris e São Paulo | Reuters e AFP

O partido do presidente francês, Emmanuel Macron, perdeu nesta terça-feira (19) a maioria que possuía na Assembleia Nacional após um grupo de deputados deixar a sigla por discordar de parte das políticas econômicas do mandatário.

Ao todo, sete parlamentares romperam com a República em Marcha (LREM), legenda criada pelo próprio Macron em 2016 para apoiar sua candidatura à Presidência.

O presidente francês, Emmanuel Macron, concede entrevista coletiva em Paris na segunda (18)
O presidente francês, Emmanuel Macron, concede entrevista coletiva em Paris na segunda (18) - Francois Mori - 18.mai.20/AFP

Os deputados anunciaram que farão parte de um novo grupo em formação no Parlamento, o Ecologia, Democracia, Solidariedade, que terá uma plataforma mais à esquerda do que a do atual presidente.

Com isso, o LREM passará a ter 288 deputados, um a menos do que o necessário para ter maioria absoluta na Casa.

O grupo de parlamentares disse que não irá fazer oposição ao governo e que o objetivo da medida é convencer Macron a adotar políticas que beneficiem os trabalhadores e o meio ambiente.

Segundo Aurelien Tache, um dos desertores, a ação é necessária para impedir o fortalecimento da ultradireita antes da próxima eleição presidencial, em 2022.

“Se não mostrarmos resultados rapidamente, o risco é a França escolher a pior opção em 2022, e é isso que queremos evitar a todo custo”, afirmou.

Com uma plataforma centrista, Macron foi eleito no segundo turno em 2017 em uma disputa contra Marine Le Pen, líder da direita radical no país.

Desde a vitória, porém, o presidente tem enfrentado dificuldades para aprovar as reformas econômicas e sociais que prometeu na campanha e ainda teve que enfrentar a onda de protestos dos “coletes amarelos”.

A sigla de Macron já havia sofrido uma série de deserções de parlamentares frustrados por sua centralização na tomada de decisões e por suas políticas pró-mercado. Na eleição de 2017, o partido elegeu 314 deputados, mas desde estão muitos deles abandonaram o barco.

Apesar do peso simbólico da ação, o governo deve continuar com maioria na Casa, já que tem o apoio também de outra sigla menor, a centrista Movimento Democrático, com 46 deputados.

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