Superciclone deixa ao menos 14 mortos na Índia e em Bangladesh

Na última semana, autoridades da região moveram mais de 2 milhões de pessoas para abrigos

Subrata Nagchoudhary Ruma Paul
Calcutá | Reuters

O superciclone Amphan atingiu nesta quarta-feira (20) o leste da Índia e Bangladesh, destruindo milhares de casas e deixando ao menos 14 mortos, segundo autoridades locais.

O populoso estado indiano de Bengala Ocidental foi o primeiro no caminho da tempestade, que saiu da Baía de Bengala com ventos de 185 km/h e provocando uma maré de 5 metros de altura.

Mamata Banerjee, ministra chefe do estado, disse à Reuters que o Amphan é um dos piores ciclones na região nos últimos anos e que ao menos dez pessoas morreram em Bengala Ocidental.

Membros da Força Nacional de Resgate em Desastres (NDRF) removem um troco de árvore depois da passagem do ciclone Amphan em Bengala Ocidental, na Índia - 20.mai.20/Reuters

Em Calcutá, capital do estado, os ventos viraram carros e derrubaram árvores e postes. Parte da cidade ficou sem luz.

“Áreas e áreas foram devastadas. A rede de comunicação está destruída”, relatou Banerjee. Segundo ela, embora mais de 500 mil pessoas tenham sido evacuadas nos últimos dias, as autoridades não puderam prever a ferocidade da tempestade.

Como muitas áreas ainda estão inacessíveis por conta da chuva, o governo federal disse que só poderá fazer uma avaliação adequada da destruição na quinta-feira (21).

Na vizinha Bangladesh, ao menos quatro pessoas morreram devido ao ciclone, e alguns distritos também tiveram a rede elétrica interrompida.

Na última semana, autoridades de Bangladesh evacuaram mais de 2,4 milhões de pessoas da zona costeira. Também foram abrigados centenas de refugiados de Mianmar que estavam vivendo em uma ilha na Baía de Bengala propensa a inundações.

O governo teme que as plantações de arroz e terras férteis tenham sido danificadas pelo ciclone. “Felizmente, a colheita deste ano está quase completa”, disse Mizanur Rahman Khan, do Ministério da Agricultura de Bangladesh.

As ondas trazidas pelo Amphan conseguiram ultrapassar barragens feitas para conter as águas e destruíram mais de 500 casas em uma ilha do distrito de Noakhali, no sudeste de Bangladesh.

‘’Nós conseguimos evitar mortes, porque movemos pessoas para os abrigos com antecedência”, afirmou Rezaul Karim, membro do governo local.

Moradores do distrito de Satkhira, em Bangladesh, tentam se abrigar antes da chegada do ciclone Amphan - Reuters

A região na fronteira entre Índia e Bangladesh é marcada pelo mangue de Sundarbans, uma das maiores florestas desse tipo de vegetação no mundo. A região é considerada patrimônio mundial da Unesco e abriga mais de 4 milhões de indianos.

À Reuters um residente da ilha de Ghoramara, localizada na região, disse que muitas casas foram destruídas e que algumas áreas estão inundadas.

Ciclones costumam atingir a costa do leste da Índia e de Bangladesh entre abril e dezembro. O Amphan coincidiu com a maré alta causada pela lua nova, o que aumenta o potencial destrutivo do fenômeno.

Nos últimos anos, a intensidade e a violência dos ciclones aumentaram na região, em parte devido às mudanças climáticas, mas o número de vítimas diminuiu, graças a políticas de evacuações rápidas e à construção de abrigos anticiclones.

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