Descrição de chapéu Governo Trump

Trump diz que vai designar antifascistas como 'organização terrorista'

Presidente acusa radicais de esquerda de usarem protestos antirracismo para semear caos

São Paulo

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo (31) que pretende classificar antifascistas como uma organização terrorista. No entanto, o antifascismo é uma posição política, e não uma entidade ou partido.

"Os Estados Unidos vão designar ANTIFA como uma organização terrorista", escreveu Trump em uma rede social, citando a abreviação da palavra antifascita.

A postagem de Trump no Twitter foi republicada pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro, junto com uma imagem dos protestos deste domingo na avenida Paulista, em São Paulo, onde uma manifestação a favor da democracia terminou em confronto com a polícia.

Uma forte onda de protestos tomou o país após a morte de George Floyd, negro que foi sufocado ao ter o pescoço prensado pelo joelho de um policial branco na última segunda-feira (25). Desde então, manifestantes pedem o fim do racismo e da brutalidade policial.

O presidente Donald Trump conversa com repórteres a bordo do Air Force One - Jonathan Ernst - 30.mai.2020/Reuters

Trump lamentou a morte de Floyd, mas passou a ameaçar os manifestantes e a dizer que os protestos são conduzidos por radicais de esquerda, que querem usar a morte de Floyd para levar o caos ao país e impor suas demandas.

Com várias vertentes e definições, o antifascismo tem como cerne o combate a regimes autoritários, geralmente ligados à ultradireita, que costumam defender o culto à personalidade e o racismo.

O maior exemplo do fascismo foi a ditadura de Benito Mussolini (1922-1943), que levou a Itália a lutar na Segunda Guerra ao lado da Alemanha nazista.

O antifascimo também é relacionado a críticas ao poder de grandes corporações e das elites.

Assim, muitas vezes é classificado como ultraesquerda, embora também tenha proximidade com o anarquismo, que defende sociedades sem governos.

Parte dos antifascistas defende abertamente o uso da violência, como a destruição de propriedades, como meio para chegar a mudanças. Não há, no entanto, uma entidade antifascista organizada, embora alguns grupos façam reuniões eventuais para coordenar ações.

Nos Estados Unidos, grupos antifascistas foram a atos da ultradireita para impedir que fossem realizados, pois defendem que o discurso de ódio e a defesa do racismo devem ser combatidos.

Eles também protestaram na posse de Donald Trump, em 2017.

"Antifa tem estado envolvido em terrorismo e conspiração para a sedição por anos. Mas o FBI e o DOJ [Departamento de Justiça] estavam muito ocupados para se preocupar, com sua liderança envolvida em suas próprias conspirações contra o presidente Donald Trump", disse o ativista Tom Fitton alinhado ao republicano, em uma mensagem retuitada por Trump.

Segundo o Departamento de Estado, o governo dos EUA usa duas leis para enquadrar terroristas. Uma delas se refere apenas a estrangeiros. A outra é uma ordem executiva assinada por George W. Bush logo após os ataques do 11 de setembro de 2001—e atualizada em setembro de 2019, no governo Trump— que tem foco na questão financeira.

Por essa ordem executiva, indivíduos e entidades que recebem a classificação de terroristas têm suas propriedades bloqueadas e ficam impedidos de fazer negócios com outras pessoas e instituições dos Estados Unidos. Quem fizer transações com os nomes na lista pode ser alvo de punições e sanções.

O documento define terrorismo como "atividades que envolvem atos violentos ou perigosos contra a vida humana, propriedade ou infraestrutura e que aparentem ter a pretensão de intimidar ou coagir a população civil, a influenciar a política do governo por meio de coerção ou afetar a condução do governo por meio de destruição em massa, assassinatos e sequestros".

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