Ataque a Bolsa de Valores deixa ao menos seis mortos no Paquistão

Grupo separatista reivindicou autoria da ação com granadas e tiros de fuzil em Karachi

Karachi (Paquistão) | AFP e Reuters

Quatro homens armados atacaram, com granadas e tiros de fuzil, o prédio da Bolsa de Valores de Karachi, capital financeira no sul do Paquistão, na manhã desta segunda-feira (29).

Os criminosos chegaram de carro, lançaram granadas contra o posto de segurança e tentaram entrar no prédio. Houve troca de tiros entre o grupo e os guardas da Bolsa. Ao menos seis pessoas foram mortas.

De acordo com um comunicado da polícia local, quatro seguranças, um policial e um civil morreram. Os números da fundação Edhi, principal organização de emergência de Karachi, divergem e apontam um total de sete mortos e sete feridos.

Soldados paramilitares próximos à Bolsa de Valores do Paquistão após ataque em Karachi
Soldados paramilitares próximos à Bolsa de Valores do Paquistão após ataque em Karachi - Asif Hassan/AFP

O Exército de Libertação do Baluchistão (BLA) reivindicou a autoria do ataque. No Twitter, o grupo separatista publicou uma foto de quatro jovens vestidos com uniformes militares e armados com fuzis e afirmou que eles foram os autores do "ataque suicida".

Os quatro foram mortos pelos seguranças da Bolsa de Karachi durante a troca de tiros. Segundo o BLA, eles eram membros da Brigada Majeed, uma unidade de combatentes que afirmou ter assumido o controle da área.

A província do Baluchistão, na fronteira com Afeganistão e Irã, é a maior e mais pobre do Paquistão, apesar da abundância de recursos minerais.

Também é a mais instável do país. Nos últimos anos, o movimento de insurreição separatista e a violência de alguns grupos islamitas provocaram centenas de mortes.

O BLA já executou outros atentados contra símbolos do que considera o espólio de seus recursos por parte do governo do Paquistão.

Nos últimos anos, o grupo também atacou interesses da China, que fez grandes investimentos no Paquistão no âmbito do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), que inclui o porto em águas profundas de Gwadar, no Baluchistão.

O ataque contra a Bolsa de Karachi acontece dez dias depois do lançamento de uma granada contra uma fila de espera em uma agência de ajuda social, um atentado que deixou um morto e oito feridos.

Após uma década de violência no Paquistão, que registrava atentados praticamente diários, a violência diminuiu consideravelmente no país, e ataques como o da Bolsa são agora excepcionais.

A cidade portuária de Karachi registrou durante anos um elevado índice de criminalidade, mas recentemente era considerada mais segura devido ao reforço na presença das forças de segurança.

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