Ativista paquistanesa Malala se forma na Universidade de Oxford

Mais jovem ganhadora do Nobel da Paz, ela disse que agora quer dormir, ler e ver Netflix

Londres | AFP

A paquistanesa Malala Yousafzai, símbolo da luta pela educação e mais jovem ganhadora de um Nobel da Paz, anunciou nesta sexta-feira (19) que se graduou pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.

"É difícil expressar minha alegria e gratidão agora que recebi meu diploma em filosofia, política e economia de Oxford", disse a jovem de 22 anos no Twitter.

Malala Yousafzai (no centro) comemora com sua família sua graduação na universidade de Oxford
Malala Yousafzai (no centro) comemora com a família sua graduação na Universidade de Oxford - Malala Yousafzai/@MALALA via Reuters

Sua mensagem foi acompanhada de fotos, entre as quais uma em que aparece comemorando seu diploma comendo um bolo com familiares. "Não sei o que vai acontecer agora. Por agora, será Netflix, ler e dormir", disse.

Em outra imagem, a jovem aparece com o rosto pintado, coberta de papeis coloridos e suja com o glacê do bolo.

Malala foi admitida na renomada Universidade de Oxford em outubro 2017 depois de ter estudado em um instituto de Birmingham.

No início daquele ano, ela foi formalmente aceita no Lady Margaret Hall, onde estudou, nos anos 1970, a primeira mulher a ocupar o posto de primeira-ministra no Paquistão, Benazir Bhutto.

Todos os alunos de Oxford deixaram o campus em março por conta da pandemia do novo coronavírus.

Alguns departamentos devem reabrir gradualmente durante o verão europeu, e a universidade planeja receber todos os estudantes de novo a partir de setembro.

Em 2012, após ser gravemente ferida pelo Taleban, encontrou refúgio nessa cidade no centro da Inglaterra.

Malala começou sua luta em 2007, quando os talebans impuseram sua lei no vale do Swat, até então uma região turística tranquila.

Filha de um diretor de escola e de uma mulher analfabeta, ela criou, aos 11 anos, um blog no site da BBC em urdu, o idioma nacional.

Com o pseudônimo de Gul Makai, descrevia o clima de medo no vale. Quando ficou conhecida, o Taleban decidiu eliminá-la, acusando-a de ser um veículo para a "propaganda ocidental".

Aos 15 anos, ela levou um tiro na cabeça e outro nas costas em um ataque ao ônibus escolar que a levava em Mingora, no vale do Swat. Após passar por várias operações no Paquistão e na Inglaterra, passou a morar no país europeu com a família.

Em 2014, aos 17 anos, Malala tornou-se a mais jovem ganhadora do Nobel da Paz. Ela criou um fundo para ajudar iniciativas na área ao redor do mundo e se tornou um símbolo da resistência das mulheres diante da opressão.

"Como aconteceu com vários de vocês, a pandemia mudou muito meu último ano da universidade", escreveu, dirigindo-se a universitários, em um post na newsletter de sua organização.

"É difícil não pensar em tudo o que estamos perdendo. Mas não perdemos o mais importante: nossa educação."

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