Descrição de chapéu Governo Trump

Governo Trump processa ex-assessor de Segurança Nacional para impedir lançamento de livro

Manuscrito de John Bolton, demitido em setembro passado, conteria informações sigilosas

Nova York e Washington | Reuters

Os EUA entraram com uma ação contra o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton nesta terça (16) para impedir a publicação de um livro de sua autoria sobre seu trabalho durante o governo Trump.

A Casa Branca afirma que o texto contém informações sigilosas que poderiam comprometer a segurança do país.

O processo se inicia um dia após o presidente Donald Trump afirmar que Bolton violaria a lei se o livro fosse publicado.

O Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca (NSC, na sigla em inglês) "concluiu que o manuscrito em sua forma atual contém certas passagens —algumas com vários parágrafos— com informações sigilosas de segurança nacional", escreveram os representantes legais da Casa Branca.

Trump demitiu Bolton em setembro do ano passado, após cerca de 17 meses no cargo.

O presidente disse na segunda (15) que o ex-assessor sabe que o manuscrito contém informações sigilosas.

Ele afirmou também que Bolton não concluiu o processo de liberação para publicação —um procedimento que se aplica a qualquer livro escrito por ex-funcionários do governo que tiveram acesso a informações confidenciais.

O secretário de Justiça, William Barr, disse que sua pasta estava tentando convencer Bolton a concluir o processo e a "fazer as exclusões necessárias de informações sigilosas".

"The Room Where It Happened: A White House Memoir" (a sala onde aconteceu: um livro de memórias da Casa Branca) tem lançamento previsto para 23 de junho.

A editora Simon & Schuster afirmou que o processo judicial é uma tentativa do governo Trump de interromper a "publicação de um livro visto como pouco lisonjeiro para o presidente" e que Bolton cooperou totalmente com a revisão de pré-publicação da Casa Branca.

O livro fornece um relato privilegiado do "incoerente e desordenado processo de tomada de decisão" de Trump e detalha negociações do líder americano com China, Rússia, Ucrânia, Coreia do Norte, Irã, Reino Unido, França e Alemanha, segundo a casa editorial.

Conforme o New York Times revelou no final de janeiro, Bolton relata em detalhes o episódio em que Trump congelou o envio de ajuda militar no valor de US$ 391 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) à Ucrânia.

A decisão do presidente foi um dos pontos centrais de uma das denúncias que compuseram o processo de impeachment contra ele, concluído em janeiro e no qual foi absolvido.

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