Jovem morre baleado em zona autônoma sem policiais em Seattle

Protestos antirracismo seguem com derrubadas de estátuas

São Paulo | Reuters

Um jovem de 19 anos foi morto após ser baleado na área que ficou conhecida como Zona Autônoma de Capitol Hill, em Seattle, onde uma delegacia de polícia foi abandonada pelas forças de segurança.

O local está ocupado por manifestantes desde 8 de junho.

A polícia de Seattle disse que está investigando o caso, que deixou ainda outra pessoa gravemente ferida.

Agentes responderam a um chamado devido a tiros no Cal Anderson Park às 2h30 deste sábado (20). Quando os policiais chegaram, porém, as duas vítimas já haviam sido encaminadas por médicos da zona autônoma para o Centro Médico Harborview.

Barricadas na entrada da Zona Autônoma do Capitol Hill, em Seattle
Barricadas na entrada da Zona Autônoma do Capitol Hill, em Seattle - Karen Ducey - 19.jun.20/Getty Images/AFP

O jovem de 19 anos morreu logo após chegar ao hospital, e o outro, cuja idade não foi revelada, continua internado em estado crítico na UTI. A polícia ainda não localizou nenhum suspeito.

A zona autônoma surgiu a partir de uma concessão do Departamento de Polícia de Seattle, após ter sido fortemente criticado pela forma como coibiu os protestos contra a morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos sufocado por um policial branco no fim de maio, em Minneapolis.

Os policiais fecharam as janelas da delegacia com tábuas e abandonaram o local agora ocupado pelos manifestantes.

Na Carolina do Norte, o governador pediu a retirada de monumentos confederados alegando questões de segurança, depois que manifestantes derrubaram duas estátuas em Raleigh na noite de sexta (19). No mesmo dia, uma multidão derrubou uma estátua em Washington.

Em San Francisco, os alvos foram esculturas do padre Junipero Serra, do poeta Francis Scott Key e do presidente Ulysses S. Grant, todas no Golden Gate Park. Cerca de cem pessoas participaram da derrubada. A polícia chegou ao local às 20h, e o grupo foi dispersado por volta das 21h30.

O domínio de nativos americanos por Serra, de escravos negros por Key e de ambos por Grant foi o motivo do ato. Segundo o Mercury News, a prefeita de San Francisco, London Breed, afirmou, em comunicado, que compreendia “a dor muito real nesse país enraizado em nossa história de escravidão e opressão”.

Breed, no entanto, não entrou na questão da homenagem às figuras histórias, focando a destruição do parque.

Manifestantes vão em direção à estátua de Francis Scott Key, no Golden Gate Park, em San Francisco - David Zandman - 19.jun.20/Reuters

“Cada dólar gasto limpando esse vandalismo retira investimento para apoiar de fato a nossa comunidade, inclusive a afro-americana”, disse a prefeita.

“Eu digo isso não por defender uma estátua particular ou o que ela representa, mas para reconhecer que, quando as pessoas agem em nome da minha comunidade, eles deveriam na verdade nos envolver.”

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