Descrição de chapéu Governo Trump

Juiz nega pedido de Trump para barrar livro de ex-assessor de Segurança Nacional

John Bolton recebeu reprimenda do magistrado por ter 'exposto país a dano'

Washington | The New York Times

O juiz Royce Lamberth decidiu, neste sábado (20), que o ex-assessor de Segurança Nacional do presidente Donald Trump, John Bolton, pode seguir em frente com a publicação de seu livro de memórias.

A decisão rejeita o pedido do governo Trump de barrar o livro, que já foi impresso e distribuído ao redor do mundo, afirmando que é tarde demais para que uma ordem do tipo tenha efeito.

A Casa Branca afirmava, no processo judicial, que o texto contém informações sigilosas que poderiam comprometer a segurança do país. Bolton foi demitido por Trump em setembro, após 17 meses no cargo.

"Com centenas de milhares de cópias ao redor do mundo —muitas delas em Redações—, o estrago está feito. Não há como restaurar o status quo", escreveu o juiz do Distrito de Columbia.

john bolton mexe em óculos atrás de trump desfocado
O então assessor de segurança nacional John Bolton escuta o presidente Donald Trump em reunião em Washington em 2018 - Kevin Lamarque - 9.abr.2018/Reuters

Na argumentação que embasa a decisão, Lamberth ainda sugere que Bolton pode ter se colocado em sério risco de perder o adiantamento de US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,6 mi) que recebeu pelo livro, o que o Departamento de Justiça do governo também pediu separadamente à corte.

O magistrado afirma que o ex-assessor pode ser processado por permitir que o livro fosse publicado antes da decisão final após a revisão completa do livro pela Casa Branca, que garantiria que ele não tem informações confidenciais.

"Bolton apostou com a segurança nacional dos Estados Unidos", escreveu o juiz. "Ele expôs seu país ao dano e pode arcar com responsabilidades civis (e potencialmente criminais). Mas esses fatos não controlam a moção feita à corte. O governo falhou em estabelecer que a determinação favorável a ele previniria um dano irreparável."

Bolton afirma no livro "The Room Where It Happened: A White House Memoir" (a sala onde aconteceu: um livro de memórias da Casa Branca) que Trump deveria ter sido investigado pela Câmara, no inquérito do impeachment, não apenas por pressionar a Ucrânia a incriminar seu rival Joe Biden, mas também por situações em que o republicano tentou intervir em questões de segurança por razões políticas.

O aguardado livro, cujo lançamento está previsto para o dia 23, já é o mais vendido na Amazon americana.

De acordo com o jornal The New York Times, Bolton descreve ali vários episódios em que o presidente teve vontade de interromper investigações criminais “para conceder favores pessoais aos ditadores de que ele gostava”, em casos ocorridos na China e na Turquia.

"O padrão parecia ser a obstrução da Justiça como um modo de vida, o que não poderíamos aceitar."

Bolton também alega que Trump vinculou abertamente negociações comerciais a intenções políticas pessoais. Ele teria, por exemplo, pedido ao dirigente chinês, Xi Jinping, para comprar produtos agrícolas americanos para ajudá-lo a conquistar rurais agrícolas nas eleições em que busca a reeleição.

"The Room Where It Happened" é o primeiro livro de memórias escrito por um funcionário do alto escalão do governo Trump que participou de grandes eventos da política externa americana.

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