Manifestantes tentam derrubar estátua de ex-presidente dos EUA em frente à Casa Branca

Andrew Jackson era conhecido por tratar nativos americanos de maneira severa

Washington

No início da noite desta segunda (22), manifestantes antirracismo tentaram derrubar uma estátua do ex-presidente dos EUA Andrew Jackson que fica na praça Lafayette, em frente à sede do governo americano, mas foram impedidos por policiais que usaram gás lacrimogêneo e de pimenta para dispersar a multidão.

Sob gritos que pediam justiça contra a morte de pessoas negras por policiais brancos, ativistas amarraram cordas e correntes na estátua de bronze, na qual Jackson é representado sobre um cavalo.
Policiais agiram para afastar manifestantes e formar uma barreira em frente à praça, protegendo a estátua do sétimo presidente dos EUA (1829-1837).
Manifestantes tentam derrubar estátua de Andrew Jackson em frente à Casa Branca - Tom Brenner - 22.jun.20/Reuters

Um helicóptero da polícia voou baixo, em outra estratégia para dispersar os ativistas em frente ao local.

Jackson foi um general do Exército americano, muitas vezes comparado ao presidente Donald Trump pelo estilo populista. Era conhecido por tratar os nativos americanos de maneira severa e assinou a Lei de Remoção dos Indígenas, que levou à realocação e morte de milhares deles no país.

Por volta das 22h desta segunda (23h de Brasília), um grupo de dezenas de manifestantes ainda estava em frente à praça, encarando a barreira policial, mas grande parte do protesto já havia sido desmobilizado.

Horas antes, o serviço secreto orientou jornalistas que estavam dentro da Casa Branca a saírem do local.

Em reação à tentativa de derrubada do monumento a Jackson, Trump afirmou, na manhã desta terça (23), ter determinado ao governo federal que prenda qualquer pessoa que destrua ou vandalize "qualquer monumento, estátua ou outra propriedade federal nos EUA".

O presidente americano disse que os acusados poderão pegar até dez anos de prisão, com base em uma lei criada em 2003, batizada de "Veterans' Memorial Preservation Act" e que busca proteger homenagens a militares que lutaram em guerras.

"Essa ação entra em vigor imediatamente, mas pode também ser usada retroativamente para a destruição e o vandalismo já causados. Não haverá exceções", acrescentou ele, que fez o anúncio numa rede social.

Desde que os atos pelo assassinato de George Floyd, um negro asfixiado por um policial branco em Minnesota, eclodiram no fim do mês passado, manifestantes têm destruído estátuas nos EUA e no mundo que homenageiam conquistadores e imperialistas como forma de mostrar revolta contra o racismo.

Há poucos dias, a cidade de Nova York anunciou que removerá uma estátua de Theodore Roosevelt, que presidiu o país de 1901 a 1909, da porta do Museu de História Natural. Na imagem, ele aparece montado em um cavalo, ao lado de um nativo americano e um africano, que estão a pé.

Estátuas de Cristóvão Colombo, o primeiro europeu a chegar à América, também foram atacadas nas últimas semanas nos Estados Unidos. Na Europa, houve ações contra homenagens a líderes do passado que fizeram fortuna explorando a escravidão e o colonialismo na África.

O confronto desta segunda em Washington acontece depois de vários dias de protestos que seguiam pacíficos e com número menor de participantes na capital americana.

No dia 1º de junho, após Trump fazer um discurso dizendo que mandaria o Exército para as ruas caso governadores e prefeitos não conseguissem reprimir os atos, policiais dispersaram com bombas de gás e spray de pimenta um ato pacífico na mesma praça Lafayette.

A ação serviu para que Trump atravessasse a praça e tirasse uma foto em frente a uma igreja histórica, com a Bíblia na mão, na tentativa de mostrar força e controle. O movimento político foi criticado inclusive por militares e aliados.
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