Policial que matou homem negro em Atlanta é solto após pagar fiança

Vítima foi atingida por dois tiros nas costas durante abordagem no dia 12

Atlanta | Reuters

O ex-policial de Atlanta que matou Rayshard Brooks na última sexta (12) se entregou às autoridades nesta quinta-feira (18) à tarde.

Garrett Rolfe, demitido um dia após o incidente, responde a 11 acusações, incluindo homicídio, lesão corporal com uma arma letal e violação de seu juramento de policial —ele pode ser condenado à prisão perpétua ou à pena de morte.

O agente branco atirou duas vezes nas costas do afro-americano Brooks com uma pistola Glock de 9 mm —uma das balas atingiu o coração.

Lanchonete onde Rayshard Brooks foi morto foi transformado em memorial em Atlanta, na Geórgia
Lanchonete onde Rayshard Brooks foi morto foi transformada em memorial em Atlanta, na Geórgia - Elijah Nouvelage - 17.jun.20/Reuters

O promotor responsável pelo caso pediu ao juiz que negasse a Rolfe o direito à fiança quando apresentou a denúncia, na quarta (17). O suspeito, porém, foi liberado após pagar o valor estipulado pela Justiça.

O segundo policial envolvido no episódio, Devin Brosnan, também se entregou nesta quinta e foi liberado após pagar fiança. Ele é acusado de lesão corporal de natureza grave e violação de seu juramento.

O assassinato ocorreu em meio a semanas de intensos protestos contra o racismo nos Estados Unidos em decorrência da morte de George Floyd, um cidadão negro assassinado em Minneapolis depois de ficar 8 minutos e 46 segundos com o pescoço prensado sob o joelho de um policial branco.

A chefe da polícia de Atlanta, Erika Shields, pediu demissão no dia seguinte ao incidente.

A abordagem de Brooks pelos agentes começou tranquilamente depois que ele foi encontrado dormindo em seu carro na fila do drive-thru de uma lanchonete. Rolfe e Brosnan submeteram Brooks a um teste de sobriedade, e depois disso a situação piorou.

De acordo com a versão dos fatos apresentada pelos promotores, Brooks fugia dos policiais e estava a mais de 5,5 metros de distância quando Rolfe atirou.

"Eu o peguei", diz o policial após disparar os tiros. Em seguida, o agente chutou Brooks duas vezes enquanto ele estava ferido e deitado no chão. Brosnan admitiu estar de pé sobre os ombros da vítima enquanto ele "lutava por sua vida", disse Howard.

Os policiais não prestaram assistência médica.

O relato tem como base oito vídeos do incidente, incluindo gravações feitas por câmeras de vigilância próximas e por testemunhas que passavam pelo local.

Também foram usados vídeos extraídos das câmeras que os agentes portavam presas ao uniforme e de um outro dispositivo que estava afixado na parte interna do para-brisa da viatura.

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