Policial envolvido na morte de homem negro em Atlanta é acusado de homicídio

Agente atirou duas vezes nas costas da vítima, afirma promotor

Atlanta (EUA) | Reuters

Um ex-policial de Atlanta foi acusado de homicídio pela morte de Rayshard Brooks, na última sexta (12), no estacionamento de um restaurante de fast-food, anunciou um promotor do estado da Geórgia na quarta-feira (17).

O assassinato ocorreu depois de semanas de intensos atos pela igualdade racial nos Estados Unidos em decorrência da morte de George Floyd, um cidadão negro assassinado em Minneapolis depois de ficar 8 minutos e 46 segundos com o pescoço prensado sob o joelho de um policial branco.

A lanchonete de "fast-food" onde Rayshard Brooks foi morto se tornou um memorial em sua homenagem
A lanchonete onde Rayshard Brooks foi morto se tornou um memorial em sua homenagem - Joe Raedle/Getty Images/AFP

Pai de três filhos, Brooks, 27, não demonstrou nenhum comportamento agressivo durante a abordagem, afirmou o promotor Paul Howard, responsável pelo caso. "[Ele] não representou uma ameaça imediata de morte ou ferimento físico grave" aos dois oficiais brancos, acrescentou.

Garrett Rolfe, o policial responsável pelo disparo, foi demitido no dia seguinte à divulgação de um vídeo de uma câmera de segurança que mostrava suas ações.

Ele responde a 11 acusações, incluindo homicídio, lesão corporal com uma arma mortal e violação de seu juramento de policial —ele pode ser condenado à prisão perpétua ou à pena de morte.

Devin Brosnan, que também participou da abordagem, foi acusado de lesão corporal de natureza grave e violação de seu juramento. O agente foi designado a um posto de serviço administrativo na corporação e afirmou que cooperará com os promotores, segundo Howard.

Vince Champion, diretor regional da Irmandade Internacional de Policiais, disse acreditar que Howard se apressou em apresentar as denúncias, uma vez que o Escritório de Investigação da Geórgia não havia concluído seu inquérito.

A entidade está arcando com a defesa dos dois acusados.

O relato dos fatos elaborado pela promotoria tem como base oito vídeos do incidente, incluindo gravações feitas por câmeras de vigilância próximas e por testemunhas que passavam pelo local.

Também foram usados vídeos extraídos das câmeras que os agentes portavam presas ao uniforme e de um outro dispositivo que estava afixado na parte interna do para-brisa da viatura.

De acordo com essa versão, Brooks fugia dos policiais e estava a mais de 5,5 metros de distância quando Rolfe atirou duas vezes em suas costas com uma pistola Glock de 9 mm —uma das balas perfurou seu coração.

"Eu o peguei", diz o policial após disparar os tiros. Em seguida, Rolfe chutou Brooks duas vezes enquanto ele estava ferido e deitado no chão. Brosnan admitiu estar de pé sobre os ombros da vítima enquanto ele "lutava por sua vida", disse Howard.

Os policiais não prestaram assistência médica, acrescentou o promotor, que recomendou que o juiz do caso negasse a Rolfe o direito a fiança.

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