Quase um ano após votação original, Bolívia escolherá presidente em setembro

Controverso pleito de 2019 levou à renúncia de Evo Morales e a tensão nas ruas de todo o país

Buenos Aires

Os partidos políticos da Bolívia, mediados pelo Tribunal Supremo Eleitoral do país, chegaram na noite desta segunda-feira (1º) a um acordo: as eleições presidenciais ocorrerão no próximo dia 6 de setembro.

Assim, terá passado quase um ano da polêmica votação original, em 20 de outubro de 2019, que concedeu uma controversa vitória em primeiro turno ao então presidente, Evo Morales.

Com o resultado contestado, começaram tensões e enfrentamentos em várias cidades da Bolívia, que resultaram na pressão das Forças Armadas para que Evo renunciasse.

Desde então, quem governa de modo interino é a direitista Jeanine Añez, cuja legitimidade no cargo também é contestada, pelo fato de ter usado brechas constitucionais para se apresentar como a seguinte na linha de sucessão, uma vez que o então vice-presidente, Álvaro García Linera, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, também renunciaram.

Jeanine Añez em seu primeiro dia no poder, durante juramento no palácio presidencial, em La Paz - Aizar Raldes -13.nov.2019/AFP

Evo, líder do esquerdista MAS (Movimento para o Socialismo), encontra-se como refugiado político na Argentina. Ainda assim, lidera a distância seus congressistas, que são maioria no Parlamento.

Inicialmente, o tribunal eleitoral constituído por Añez marcou as eleições para maio último, mas elas foram adiadas por conta da pandemia do coronavírus.

Desde então, o MAS, que escolheu o ex-ministro da economia Luis Arce como candidato no novo pleito, pressiona para que a data da votação fosse determinada com rapidez.

Em entrevista recente à Folha, Arce disse que, "mesmo durante a pandemia, vale fazer eleições, porque Añez está usando o coronavírus para centralizar poder e fazer campanha, enquanto os demais candidatos estão em quarentena".

Arce liderava as pesquisas de intenção de voto antes da pandemia.

A persistir os resultados dos levantamentos mais recentes, haveria um segundo turno entre ele e o ex-presidente de centro-esquerda Carlos Mesa ou a atual mandatária, que decidiu concorrer contradizendo seu discurso de posse, no qual afirmava que seria apenas uma interina com a finalidade de organizar as eleições.

Añez, que tem apoio do governo brasileiro, declarou estar satisfeita com a decisão e nega que esteja usando o vírus para fazer propaganda.

Disse que sua prioridade é "a saúde do povo boliviano" e que "tomaremos muito cuidado para evitar que a campanha eleitoral atrapalhe no combate à pandemia".

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