Descrição de chapéu Coronavírus

Surtos de Covid-19 em Lisboa comprometem reabertura em Portugal

Novos focos de contaminação podem levar a prorrogação das restrições na capital

Lisboa

Após vários meses de bons resultados no controle do novo coronavírus, Portugal começou, nesta segunda-feira (1o), a terceira e última fase de seu processo de reabertura social e econômica. O surgimento de vários focos de contaminação na área metropolitana de Lisboa, no entanto, pode comprometer o ritmo do desconfinamento no país.

De acordo com os últimos dados da DGS (Direção-Geral da Saúde), 96% dos 200 novos casos confirmados em Portugal nas últimas 24 horas estavam na região da Grande Lisboa.

Devido aos maus resultados, a continuação da abertura lisboeta foi adiada para o fim da semana. A situação será revista na quinta-feira (4), mas o governo já avisou: pode ser preciso postergá-la ainda mais.

Um casal olha para um homem saindo da porta do cinema. Todos usam máscara. A calçada, de ladrilhos, é típica de Lisboa
Pessoa usam máscara em frente ao Cinema Ideal, em Lisboa, reaberto após o relaxamento das medidas contra o coronavírus em Portugal - Patricia de Melo Moreira - 1.jun.20 / AFP

Enquanto a maioria das regiões do país vem apresentando quedas constantes no número de infectados, os casos em Lisboa e nas principais cidades de seu entorno aumentaram.

Já a região norte, antigo epicentro da Covid-19 no país, não teve nenhum registro de nova contaminação nas últimas 24 horas.

Ao fazer o balanço epidemiológico do país nesta segunda-feira, Jamila Madeira, secretária de estado-adjunta e da saúde, afirmou que a região de Lisboa e Vale do Tejo precisa de “especial atenção” devido ao “número significativo de novos casos”.

Ao afirmar que a “batalha não está ganha”, a secretária pediu que os portugueses tenham responsabilidade coletiva para combater o novo coronavírus. Madeira disse ainda que a capacidade de testes na região será reforçada.

Alguns dos focos ativos do novo coronavírus na região de Lisboa estão em áreas periféricas mais pobres e com limitações à higiene e ao distanciamento social. É o caso do Bairro do Jamaica, no Seixal, onde o governo determinou o fechamento de cafés e restaurantes.

Com 40 novos casos em um conjunto habitacional, o município da Azambuja não exclui a possibilidade de impor um cordão sanitário às áreas mais afetadas.

Também há surtos identificados entre trabalhadores da construção civil e funcionários de cadeias de processamento e distribuição de alimentos.

No resto de Portugal, porém, o dia foi de mais liberdades com o início da terceira e última fase do plano gradual de desconfinamento, iniciado em 4 de maio.

Puderam reabrir shoppings, lojas com mais de 400 metros quadrados, cinemas, teatros e academias em todo o país, menos na região metropolitana de Lisboa. Há regras rígidas de lotação e higiene, além do uso obrigatório de máscaras.

Missas e outras celebrações religiosas foram liberadas, mas também com limites rígidos de lotação. Algumas igrejas estão pedindo que os fiéis façam reservas, por telefone ou pela internet, antes de se dirigirem aos templos.

No norte e no centro de Portugal, muitos clientes aproveitaram para conferir as promoções. Para atrair o público, a estratégia mais usada pelos varejistas tem sido a antecipação da temporada de saldos e grandes descontos.

Sem turistas e com uma parte considerável dos portugueses com renda comprometida devido à paralisação econômica, comerciantes têm se queixado de vendas fracas.

Embora liberados para funcionar a partir desta segunda, a maior parte dos cinemas e casas de espetáculos do país optou por continuar de portas fechadas por enquanto. Sem novos títulos e produções para exibir, eles alegam que a reabertura significaria grandes prejuízos.

Com dias de sol e as praias e os parques novamente liberados, os portugueses voltaram às ruas praticamente em níveis pré-pandemia, segundo levantamentos de mobilidade.


Para tentar garantir a segurança à beira-mar, o governo determinou distância obrigatória entre grupos de banhistas e estipulou capacidade de lotação para as praias portuguesas.

Novamente liberadas, as academias de ginástica também têm lotação controlada, protocolos rígidos de higiene entre clientes e, por enquanto, não terão os vestiários em funcionamento.

Nesta nova etapa, o número máximo de pessoas reunidas subiu de 10 para 20, embora a DGS continue com a recomendação de evitar aglomerações.

O home office deixa de ser obrigatório, com algumas exceções, como para pessoas em grupos de risco, mas ainda é recomendado.

De uma maneira geral, os resultados portugueses seguem controlados. O país teve 1.424 mortes, em um universo de aproximadamente 32.700 casos confirmados desde março.

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