Descrição de chapéu Governo Trump

Suspender processo contra ex-assessor de Trump é 'abuso grave de poder', diz juiz aposentado

John Gleeson pede que tribunal prossiga com acusação criminal contra Michael Flynn

Washington e São Paulo | AFP e Reuters

O juiz aposentado John Gleeson insistiu nesta quarta (10) para que um tribunal federal não permita que o Departamento de Justiça americano arquive o processo criminal contra Michael Flynn, ex-assessor de segurança nacional do presidente Donald Trump.

O arquivamento seria um "abuso grave do poder de promotoria", nas palavras de Gleeson, e favoreceria um aliado do presidente.

Flynn é um general aposentado que serviu como um dos principais assessores para política externa na campanha do republicano às eleições presidenciais de 2016. No governo, foi convidado para ocupar o cargo de conselheiro de Segurança Nacional.

Michael Flynn antes de entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington
Michael Flynn antes de entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington - Carlos Barria - 13.fev.17/Reuters

Ele foi forçado a renunciar em fevereiro de 2017 —24 dias após assumir—, acusado pela Casa Branca de enganar as autoridades oficiais, incluindo o vice-presidente Mike Pence, sobre o contato que tinha com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak.

Flynn havia sido interrogado em janeiro daquele ano pelo FBI como parte da investigação sobre a interferência russa nas eleições presidenciais dos EUA.

Mas o departamento de Justiça retirou, em maio deste ano, as acusações contra ele, que havia sido processado por ter mentido sobre os contatos com o diplomata russo.

O departamento considerou que faltava na investigação uma "base legítima" e que suas declarações, "apesar de terem sido falsas, não tinham importância", de acordo com documentos judiciais.

O movimento da Justiça veio após forte pressão de Trump e de seus aliados e ocorreu mesmo que Flynn tenha se declarado culpado duas vezes por enganar o FBI.

O juiz distrital dos EUA que ouviu o caso, Emmet Sullivan, convocou no mês passado John Gleeson para servir como conselheiro do tribunal, depois que o departamento pediu abruptamente que o tribunal rejeitasse a acusação contra Flynn.

"O Departamento de Justiça tem uma solene responsabilidade de processar este caso —como todos os outros casos— sem medo ou favor", escreveu Gleeson.

"Ele abdicou dessa responsabilidade por meio de um abuso grave do poder de promotoria, tentando fornecer tratamento especial a um amigo favorecido e aliado político do presidente dos Estados Unidos."

Gleeson disse que "há ampla evidência de que Flynn cometeu perjúrio" ou mentiu sob juramento e que Sullivan deveria prosseguir com a condenação do ex-conselheiro de Trump.

Uma porta-voz do Departamento de Justiça se recusou a comentar além do que o governo já discutiu nos arquivos dos tribunais.

Flynn foi um dos vários ex-assessores de Trump acusados ​na investigação do ex-conselheiro especial Robert Mueller, que detalhou a interferência de Moscou nas eleições de 2016 nos EUA.

Apesar de admitir ter mentido para o FBI e concordar em cooperar com a investigação, Flynn mudou sua tática legal mais tarde.

No ano passado, ele trocou de advogado e de estratégia de defesa, apresentando-se como uma vítima de manipulação política.

Trump, que sempre comparou a investigação da interferência russa a uma caça às bruxas para prejudicá-lo, apoiou o ex-assessor.

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