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Latino América 21

Trump versus Twitter

Depois de eleger ferramenta como seu principal canal de comunicação, presidente dos EUA se depara com obstáculos

Fabián Bosoer

É cientista político e jornalista. Ele é o editor-chefe da seção de Opinião do jornal Clarín. É professor e pesquisador da Universidad Nacional de Tres de Febrero e professor convidado da UADE e FLACSO. Autor de: Braden o Perón. La historia oculta e Detrás de Perón, entre outros livros.

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O Twitter e o Facebook são meras plataformas ou verdadeiros meios de comunicação?

Um trabalhador e um magnata, uma organização secreta e uma associação civil, um simples cidadão e o presidente de um país podem circular e intervir neles livremente e em igualdade de condições?

Ou é um ambiente social que reproduz as desigualdades existentes, com redes estabelecidas por aqueles que orientam o tráfego e os que nele viajam em carros blindados sem identificação, entidades anônimas e pessoas comuns com nomes e sobrenomes?

A resposta é simples: todas essas coisas acontecem ao mesmo tempo.

Foi com isso que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se deparou. Depois de escolher o Twitter como principal ferramenta de comunicação para se livrar da mídia e dos jornalistas, ele agora se depara com outros obstáculos e freios.

A empresa decidiu colocar sinais de alerta em suas mensagens quando estas se mostram potencialmente perigosas, o que muitas vezes é o caso.

Essas decisões editoriais ou regras do jogo são para limitar abusos? O feitiço de Trump com a plataforma que ajudou a catapultá-lo para a Casa Branca está sendo quebrado?

O presidente americano, Donald Trump - Nicholas Kamm / AFP

O presidente reagiu à sua maneira e assinou uma ordem executiva para pôr fim a um dos pilares da Internet desde 1996: as redes sociais ou comentários em blogs não podem ser relatados pelo que os usuários escrevem.

Afirmo que a liberdade de expressão foi cerceada, mas Trump não é um cidadão qualquer, e sua "apropriação" do instrumento como veículo oficial para anunciar decisões, divulgar dados, dar opiniões, insultar pessoas ou fazer campanha tem justamente a característica de não admitir o "contra-interrogatório" de um jornalista em uma coletiva de imprensa, ou o controle que vem com a radiodifusão em um meio de comunicação.

É o presidente e a plateia, sem intermediários. Mas há altos e baixos que podem transformar o sonho do líder populista da era digital 2.0 em um pesadelo.

Por exemplo, quando as redes sociais espalham as imagens de um assassinato racista cometido por um policial, o espelho da realidade virtual é quebrado e as pessoas tomam as ruas em protesto como não ocorria há décadas nos EUA.

É quando acontece o que Ernesto Calvo e Natalia Aruguete explicam em seu livro "Fake news, trolls e outros encantos" (Siglo Ventiuno Ed.), como "a ativação em cascata de uma comunidade interconectada".

A imagem de George Floyd pode ser mais de mil notícias falsas na batalha das narrativas.

*Texto originalmente publicado no jornal Clarín, da Argentina.

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