Descrição de chapéu Governo Trump Coronavírus

Trump volta a citar Brasil entre países com problemas no combate à pandemia

Presidente americano diz que nação liderada pelo aliado Bolsonaro está em 'momento muito difícil'

São Paulo

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a citar o Brasil entre nações que enfrentam problemas no combate à pandemia de coronavírus. Nesta sexta-feira (5), durante entrevista coletiva, o líder republicano afirmou que o país comandado pelo aliado Jair Bolsonaro está em um "momento difícil".

Ao citar a situação econômica americana em meio à crise da Covid-19, Trump projetou bons números para os próximos meses, ressaltando que os EUA são a maior economia do mundo e que, segundo ele, as medidas tomadas no combate à propagação do vírus "fecharam o país".

O presidente americano Donald Trump chega ao aeroporto internacional Bangor, no Maine
O presidente americano Donald Trump chega ao aeroporto internacional Bangor, no Maine - Nicholas Kamm/AFP

"Possivelmente salvamos 2 milhões, 2,5 milhões de vidas. Agora, poderiam ter sido 1 milhão de vidas (...) Mas, se você pensar, hoje estamos em 105 mil, (...) e poderia ser dez vezes esse valor", disse ele. "Se você olha para o Brasil, eles estão passando por um momento muito difícil."

Em seguida, Trump citou a Suécia, país europeu cuja estratégia contra o coronavírus é alvo de polêmica por, diferentemente de seus vizinhos nórdicos, não ter adotado o "lockdown", ainda que regras de distanciamento social tenham sido colocadas em prática.

Para o republicano, a Suécia, que contabiliza 4.562 mortes e quase 42 mil casos confirmados, está em um "momento terrível". "Se fizéssemos isso, teríamos perdido 1 milhão, 1,5 milhão, talvez até 2 milhões e meio ou mais de vidas. No entanto, estamos em 105 mil."

Os EUA registraram, até agora, 108.664 mortes e 1,8 milhão de infecções, números bem superiores aos do país europeu e do Brasil, que acumula 34 mil óbitos e quase 615 mil contaminações, de acordo com dados compilados pela universidade Johns Hopkins.

O líder americano, no entanto, diz que as elevadas cifras de casos se devem à quantidade de testes realizada no país. Em números absolutos, os EUA são os que mais testam no mundo, segundo o site Worldometer, com 19,9 milhões de exames.

Ainda que o republicano diga que "fechou o país", Trump defendeu retomar a economia muito antes do recomendado por especialistas de saúde de seu próprio governo, entrando em choque com epidemiologistas e governadores de diversos estados, principalmente os liderados por democratas.

Antes de citar a Suécia, o presidente americano disse que o Brasil quis seguir o exemplo de Estocolmo. Em entrevista coletiva em meados de maio, em Brasília, Bolsonaro usou o país europeu como referência de nações que não fecharam, dando a entender que essa era uma estratégia positiva.

No último dia 24, Trump assinou um decreto que proíbe a entrada nos EUA de cidadãos não americanos que tenham estado no Brasil nos últimos 14 dias. A medida engloba todos os estrangeiros que tenham passado pelo território brasileiro.

A decisão veio após uma série de críticas do líder americano à situação do Brasil frente à Covid-19. Durante encontro no final de abril com o governador da Flórida, o também republicano Ron DeSantis, Trump disse que o Brasil foi "por um caminho diferente do da maioria da América do Sul".

"Quando você olha os gráficos, infelizmente percebe o que está acontecendo com o Brasil."

Antes disso, ele já havia levantado a possibilidade de restringir voos brasileiros no final de março, mas, à época, acabou não impondo nenhuma medida.

Aliado de Trump, Bolsonaro tem sido um dos poucos líderes da América Latina —e do mundo— a minimizar a gravidade da Covid-19. O presidente brasileiro chegou a compará-la a uma gripezinha.

Apesar disso, o presidente dos EUA tem adotado cautela ao ser questionado sobre Bolsonaro. Não critica a postura negacionista do aliado, mas não deixa de chamar a atenção para a situação grave do país.

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