Descrição de chapéu Coronavírus Governo Trump

Após críticas, EUA recuam de mudança na forma de coletar dados da pandemia

Decisão levantou questionamentos sobre falta de transparência na divulgação dos números da Covid-19

São Paulo

Após críticas, o governo dos EUA recuou nesta quinta-feira (16) da mudança na forma como os dados de hospitais são coletados durante a pandemia de coronavírus.

As informações consolidadas sobre leitos disponíveis em centros médicos, assim como os números de profissionais de saúde e de equipamentos de proteção disponíveis, tinham desaparecido da única plataforma oficial que disponibilizava esses números no país.

A Casa Branca havia retirado o controle e a divulgação dos dados sobre o coronavírus do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) e orientado os hospitais a repassarem as cifras ao HHS (Departamento de Saúde e Recursos Humanos).

A exclusão do CDC —um órgão técnico do HHS— levantou questionamentos sobre uma possível falta de transparência na divulgação dos números da pandemia, justamente no momento em que os Estados Unidos batem recordes de novos casos diários da Covid-19.

Médica checa informações de paciente em UTI no centro médico Oakbend, em Richmond, no Texas
Médica checa informações de paciente em UTI no centro médico Oakbend, em Richmond, no Texas - Mark Felix - 15.jul.20/AFP

O país lidera os rankings de mortos e de infectados pela doença. Até esta quinta, foram registrados mais de 3,5 milhões de casos e 137.846 óbitos, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Embora o diretor do CDC, Robert Redfield, tenha dito que os estados deveriam deixar de enviar as informações sobre os hospitais à plataforma da agência a partir desta quarta (15), Ryan Panchadsaram, responsável pela plataforma Covidexitstrategy, apontou o sumiço de informações já na terça (14).

Nesta quinta, no entanto, o HHS afirmou ter orientado o CDC a colocar os dados sobre os hospitais de volta em sua plataforma. "O HHS está comprometido em ser transparente com a população americana sobre as informações coletadas sobre o coronavírus", afirmou um porta-voz do departamento.

Os dados retornaram à plataforma do CDC, mas com números desatualizados, referentes a terça-feira.

O governo de Donald Trump tem entrado em conflito com especialistas de saúde pública do país, incluindo o CDC. Na semana passada, o presidente criticou as orientações da agência para a reabertura de escolas.

A ofensiva também mira o doutor Anthony Fauci, maior especialista em doenças infecciosas dos EUA.

Conforme Fauci passou a manifestar com mais veemência suas preocupações sobre o aumento nacional de casos de coronavírus, assessores de Donald Trump começaram a criticar seus discursos, fornecendo anonimamente detalhes a vários canais de mídia sobre declarações dadas no início do surto de coronavírus que, segundo eles, foram imprecisas.

O tratamento oferecido a Fauci, que chefia o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas há décadas, como se fosse um adversário político beligerante, foi acompanhado por críticas públicas mais comedidas de autoridades do governo, incluindo o presidente.

Em junho, o Brasil passou por problema similar ao mudar a metodologia e restringir a divulgação de dados sobre o impacto do novo coronavírus no país. O Ministério da Saúde deixou de informar o total de mortes e o total de casos confirmados da Covid-19 durante a pandemia e subitamente tirou do ar o portal com informações consolidadas.

No dia seguinte, a página voltou, mas com metodologia que levava em consideração apenas as mortes ocorridas e confirmadas nas 24 horas anteriores. O método resultava em número menor de mortes e deixava de fora óbitos de outros dias sem confirmação.

Após decisão do STF, o governo recuou e passou a divulgar os dados no antigo formato.

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