Ativistas derrubam estátua da 1ª esposa de Napoleão em território francês no Caribe

Josefina de Beauharnais, considerada imperatriz da França, foi alvo de atos antirracistas na Martinica

Bauru

Ativistas antirracistas derrubaram a estátua de Josefina de Beauharnais (1763-1814), primeira esposa de Napoleão Bonaparte, na Martinica, território da França no Caribe.

Vídeos compartilhados em redes sociais mostram um grupo de manifestantes usando cordas para derrubar a estátua. Em seguida, sob gritos de comemoração, os ativistam pisam no monumento.

O ato, ocorrido neste domingo (26) na cidade de Fort-de-France, faz parte de uma série de protestos contra o passado colonial e escravocrata da França, na esteira de outras manifestações semelhantes que se seguiram ao assassinato de George Floyd, em maio, nos Estados Unidos.

Em junho, o presidente francês, Emmanuel Macron, fez um pronunciamento à nação quando os atos antirracistas cresceram no país.

Embora tenha reconhecido que a cor da pele pode reduzir as chances de sucesso de uma pessoa na sociedade francesa, ele afirmou que o país não removeria estátuas de figuras históricas consideradas controversas.

"A República não apagará nenhum vestígio ou nome de sua história, mas, de forma lúcida, vamos olhar para nossa história e nossa memória juntos", disse Macron.

Nascida na Martinica, filha de uma família francesa que fez fortuna com o cultivo de cana-de-açúcar em terras caribenhas, Josefina foi considerada imperatriz da França ao se casar com Napoleão e teve o título mantido mesmo após o divórcio.

Napoleão, por sua vez, foi o responsável por reintroduzir a escravidão nas colônias francesas a partir de 1802, depois que a prática foi banida pela Revolução Francesa.

A estátua construída em homenagem a Josefina de Beauharnais foi decapitada em 1991 e, desde então, nunca foi reconstruída.

Ativistas derrubam estátua de Josefina de Beauharnais em Fort-de-France, na Martinica
Ativistas derrubam estátua de Josefina de Beauharnais em Fort-de-France, na Martinica - Reprodução/Twitter

Na semana passada, ativistas usaram as redes sociais para pedir às autoridades que removessem monumentos ligados ao passado escravocrata do território. Caso contrário, eles mesmos os removeriam.

De acordo com a imprensa local, a administração da Martinica ordenou que a polícia não interviesse nas manifestações.

Além da estátua da imperatriz, os manifestantes também derrubaram, neste domingo, uma escultura de Pierre Belain d'Esnambuc, comerciante francês que estabeleceu a primeira colônia permanente na Martinica no século 17.

Desde o início de junho, uma onda de questionamentos impulsionada pelos atos após o assassinato de George Floyd, em Minneapolis, transformou em alvo estátuas de figuras históricas consideradas racistas.

Nos EUA, os alvos foram imagens de militares que fizeram parte do Exército Confederado, lado da Guerra Civil americana que defendia a manutenção da escravidão.

Estátuas do navegador Cristóvão Colombo também foram atacadas. Uma foi incendiada e jogada em um lago em Richmond, na Virgínia. Outra, em Boston, foi decapitada.

Uma terceira, em Baltimore, foi derrubada no mesmo dia em que o presidente Donald Trump acusou manifestantes antirracistas de tentarem apagar a história dos EUA.

Na última sexta-feira (24), a prefeitura de Chicago removeu temporariamente mais duas estátuas do navegador italiano, depois que um grupo de ativistas tentou derrubá-las.

Atos semelhantes se seguiram na Europa. Em Bristol, no Reino Unido, o alvo foi uma estátua de Edward Colston, traficante de escravos e membro do Parlamento britânico que viveu no século 17.

A escultura de uma ativista negra feita por um artista britânico chegou a ser colocada no mesmo pedestal onde ficava Colston, mas foi removida pelas autoridades municipais por ter sido instalada sem permissão.

Em Londres, a estátua de Robert Milligan, que chegou a ter 526 negros escravizados em suas duas fazendas de plantação de açúcar na Jamaica, foi removida pelo Museu das Docas.

Na Bélgica, ganhou força uma campanha já antiga para tirar de cena monumentos do rei Leopoldo 2º, e um busto do monarca que colonizou o Congo (atual República Democrática do Congo) foi para o depósito na Universidade de Mons.

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