Bolsonaro diz que 'Brasil vai ter que se virar' se Biden vencer e rechaçar aproximação

Presidente reforça torcida por Trump, mas afirma que buscará aprofundar diálogo em caso de vitória democrata

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reafirmou nesta quinta-feira (16) que torce pela reeleição do presidente Donald Trump nos EUA, mas disse que o “Brasil vai ter que se virar” caso Joe Biden saia vencedor e rechace tentativas de aproximação do Palácio do Planalto.

“A gente torce pelo Trump. Temos certeza de que vamos potencializar e muito o nosso relacionamento. Se der o outro lado, da minha parte eu vou procurar fazer algo semelhante [manter aproximação com EUA]”, disse Bolsonaro, durante transmissão nas redes sociais.

"Se eles não quiserem, paciência, né? O Brasil vai ter que se virar por aqui."

O presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em Brasília
O presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em Brasília - Evaristo Sá - 15.jul.20/AFP

O líder brasileiro foi questionado durante a live por um jornalista sobre o que fará caso Biden —que foi vice-presidente nos dois mandatos de Barack Obama e aparece à frente de Trump na maioria das pesquisas— saia vencedor na disputa pela Casa Branca.

“Acho que essa questão comercial tem muita coisa entre Brasil e Estados Unidos independentemente de qual partido, Republicano ou Democrata, esteja no poder”, acrescentou.

Bolsonaro cumpre isolamento no Palácio da Alvorada desde que anunciou ter recebido diagnóstico de Covid-19.

Embora Biden seja visto como um democrata moderado, integrantes de seu partido já criticaram duramente o governo Bolsonaro, principalmente na área ambiental.

A previsão de analistas ouvidos pela Folha é que um eventual governo democrata colocaria pressão sobre o Brasil nos flancos ambiental e de direitos humanos. Também levaria ao fim de um dos principais alicerces da atual política externa brasileira: a identificação de Bolsonaro com Trump.

Na transmissão desta quinta, Bolsonaro começou sua resposta dizendo que seus antecessores no Palácio do Planalto, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, tratavam os americanos “quase como inimigos”.

“Como opressores, imperialistas, não havia um entrosamento. O entrosamento com FHC, Lula e Dilma era basicamente aqui na América do Sul e [com] ditaduras do mundo todo”, disse o presidente.

"Cuba, ditaduras africanas. Um amor com a Venezuela, países bolivarianos. O americano obviamente nos tratava como uma pessoa sem muita importância."

Apesar da leitura histórica feita por Bolsonaro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mantinha boas relações com seu contemporâneo na Casa Branca, Bill Clinton. Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush também eram vistos como mandatários que mantinham boas relações.

Já a convivência de Dilma Rousseff com Barack Obama foi estremecida pela revelação de que ela foi alvo de espionagem da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês).

Ao insistir que pretende aprofundar relações com os americanos quem quer que esteja na Casa Branca, Bolsonaro voltou a fustigar seu homólogo argentino, o peronista Alberto Fernández.

Ele disse que os argentinos, ao elegerem Fernández, optaram pela demagogia e pela “mentira de sempre”.

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