Descrição de chapéu Coronavírus

EUA fazem acordo para comprar 100 milhões de doses de possível vacina contra o coronavírus

Acordo com laboratórios Pfizer e Biontech prevê pagamento de US$ 1,9 bilhão

São Paulo

Os Estados Unidos fecharam um acordo para pagar US$ 1,95 bilhão (R$ 9,97 bi) por futuras 100 milhões de doses de uma potencial vacina contra o coronavírus, que está sendo desenvolvida pelos laboratórios Pfizer e Biontech, anunciaram as empresas nesta quarta-feira (22).

"O governo dos EUA fez um pedido inicial de 100 milhões de doses e pode comprar até 500 milhões de doses adicionais", afirmaram as duas empresas. A Pfizer é americana, e a Biontech, alemã.

Frascos com vacina do tipo mRNA, exibidas em Bancoc, na Tailândia - Athit Perawongmetha - 25.mai.2020/Reuters

O objetivo dos laboratórios é fabricar 100 milhões de doses antes do fim de 2020 e provavelmente mais de 1,3 bilhão de unidades até o fim de 2021.

Não está claro se os Estados Unidos receberão todas as primeiras doses a serem fabricadas nem se a produção total poderá ser ampliada até o fim do ano.

O acordo ocorre em meio a uma mudança radical de postura do governo de Donald Trump. Após meses minimizando a pandemia, o presidente passou, nos últimos dias, a defender o uso de máscaras, disse que a situação é grave e decidiu suspender grandes eventos de campanha.

Os Estados Unidos são o país mais atingido pela doença no mundo, com mais de 140 mil mortes e quase 4 milhões de infectados —os números seguem em alta.

O governo Trump havia feito parcerias com outros laboratórios que buscam a vacina, mas esse foi o maior acordo já anunciado.

A Pfizer e a Biontech não receberão o dinheiro até que a vacina seja aprovada nos testes clínicos, que devem começar até o final de julho e envolver até 30 mil pessoas.

Assim, a aprovação poderia ser obtida em outubro, caso os testes finais sejam bem-sucedidos. Só depois disso seria feita a entrega.

Na segunda-feira (20), o governo britânico anunciou um acordo para reservar 30 milhões de doses dessa mesma vacina, mas não revelou o total a ser pago.

A vacina precisa ser aplicada em duas doses. Assim, o lote de 100 milhões permitiria imunizar 50 milhões de pessoas, o que equivale a um sexto do total de habitantes dos EUA (328 milhões).

O acordo indica o preço de US$ 39 (R$ 200) por duas doses. O custo seria pago pelos planos de saúde e pela rede pública, segundo o governo.

Essa é uma das iniciativas mais avançadas entre as 150 vacinas que estão sendo desenvolvidas contra a Covid-19 pelo mundo.

Ela utilliza um mensageiro químico de RNA (mRNA) para instruir as células a produzir proteínas que imitam aquelas encontradas na superfície do coronavírus, o que leva o sistema imunológico a reconhecê-las como um inimigo e a se preparar para se defender, criando anticorpos.

Esses anticorpos serão úteis para conter uma invasão real do coronavírus, tornando a pessoa imune a ele.

No entanto, embora a tecnologia mRNA seja conhecida há alguns anos, até hoje nenhuma vacina que a utilize foi aprovada.

A Pfizer recebeu autorização na segunda-feira para fazer estudos de vacinas para Covid-19 no Brasil. No país, ocorrem também estudos sobre imunizações desenvolvidas pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e uma do laboratório chinês Sinovac.

Mike Ryan, chefe do programa de emergências da OMS, disse nesta quarta que as pesquisas estão fazendo grande progresso, mas que a aplicação das vacinas só deve ocorrer de fato no começo de 2021.

Com Reuters e AFP

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