Descrição de chapéu Governo Trump

Forças federais deixarão Portland a partir de 5ª, diz governadora do Oregon

Departamento de Segurança Nacional afirma que ainda precisa de garantias de que instalações do governo estarão protegidas

Washington | Reuters

Forças federais enviadas a Portland pelo governo dos Estados Unidos para conter protestos antirracistas deverão começar a se retirar nesta quinta-feira (30), afirmou a governadora do Oregon, Kate Brown.

A democrata disse nesta quarta (29) que, após conversas com o vice-presidente americano, Mike Pence, o governo concordou em retirar os agentes que defendem instalações federais na cidade.

No entanto, o secretário interino do Departamento de Segurança Nacional, Chad Wolf, afirmou também na quarta que ainda precisa de garantias de que os prédios e monumentos estejam seguros —antes que as tropas deixem a cidade.

Agentes federais se posicionam atrás de grade para proteger tribunal federal de Justiça em Portland, no Oregon - Ankur Dholakia - 29.jul.2020/AFP

Wolf se recusou a apresentar um prazo para a retirada dos agentes e confirmou que as forças federais continuarão na cidade até que o governo veja que o plano de segurança da cidade e do estado para proteger instalações federais esteja funcionando.

O secretário disse ainda que o Serviço de Proteção Federal (órgão que fornece serviços de segurança para instalações federais) permanecerá como o principal responsável pela proteção do tribunal federal de Justiça —o ponto principal do confronto entre forças federais e manifestantes.

Os protestos contra o racismo e a violência policial têm se repetido em Portland, na Costa Oeste dos EUA, desde o assassinato de George Floyd, em 25 de maio, em Minneapolis. Negro, ele foi sufocado pelo joelho de um policial branco por quase nove minutos.

A cena foi registrada por testemunhas, e os vídeos viralizaram na internet gerando reações em todo o país e no exterior.

Os movimentos começaram pacíficos, mas conforme se alastraram por várias cidades, houve inúmeros embates entre policiais e manifestantes, lojas foram incendiadas e saqueadas, e monumentos em homenagem a personagens históricos vinculados à escravidão e ao colonialismo foram vandalizados e derrubados.

Para tentar conter as manifestações e proteger instalações e monumentos federais, Trump enviou forças federais da ICE (Agência de Imigração e Alfândega, na sigla em inglês) e da CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras, em inglês) para Portland no início do mês.

Na semana passada, o republicano anunciou o envio de mais tropas para Seattle e outras cidades.

A ação é alvo de questionamento do inspetor-geral do Departamento de Justiça, que abriu investigação sobre uso de força excessiva pelos policiais, e levou um juiz federal a baixar uma liminar limitando o uso da força e proibindo os agentes de prenderem jornalistas e observadores.

A governadora e o prefeito de Portland, o democrata Ted Wheeler, vinham reclamando que não haviam pedido ajuda federal e que a presença dos agentes piorava a situação com os manifestantes.

Há registros de agentes sem identificação realizando ações violentas e detenções de pessoas em carros também não identificados que acirraram os ânimos e intensificaram os confrontos.

"Eles agiram como forças de ocupação e trouxeram violência", afirmou a governadora Kate Brown no Twitter. "Nossos policiais do estado do Oregon estarão no centro da cidade para proteger o direito dos oregonianos à liberdade de expressão e para manter a paz."

O anúncio de uma data para o início da retirada das forças federais de Portland foi feito no mesmo dia em que o governo federal confirmou o envio de agentes para as cidades de Cleveland, Milwaukee e Detroit —expandindo outro programa nacional, lançado para coibir crimes violentos. O mesmo já foi feito em Chicago, Kansas City e Albuquerque.

Alguns prefeitos dizem que aceitam a ajuda, outros expressam preocupação com as motivações políticas do presidente Donald Trump, que aparece nas pesquisas atrás de seu rival, o democrata Joe Biden.

Para tentar se reeleger em novembro, Trump aposta em um discurso de defesa da lei e da ordem e tem criticado os protestos antirracistas.

Manifestante infiltrado

Também nesta quarta, o jornal local de Minneapolis, Star Tribune, revelou que um membro de grupos supremacistas brancos está sendo investigado por ter se infiltrado no primeiro ato antirracista na cidade.

Segundo a polícia, ele incitou a violência e os confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o homem que ficou conhecido como "umbrella man" (homem do guarda-chuva) —por estar segurando um guarda-chuva na mão esquerda, vestido de preto e usando capuz e máscara— quebrando as janelas de uma loja de autopeças com um martelo.

Após o ataque, a loja foi saqueada e incendiada.

"Esse foi o primeiro incêndio que iniciou uma série de outros incêndios e saques no local e no resto da cidade", escreveu a investigadora Erika Christensen em um depoimento ao qual o Star Tribune teve acesso nesta terça (28).

Segundo o Departamento de Bombeiros da cidade, cerca de 30 incêndios foram atendidos naquela noite e dois homens foram mortos durante os protestos.

De acordo com a investigadora, o homem de 32 anos foi identificado como membro de um grupo de motociclistas por uma denúncia anônima. Ele ainda não foi acusado, e o Departamento de Polícia da cidade se recusou a comentar o caso.

A investigação surge em meio a acusações de que agitadores de extrema direita têm incitado a violência nos protestos antirracistas.

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