Gráficos explicam tamanho da vantagem de Biden sobre Trump na corrida presidencial

Em meio à pandemia e a protestos por igualdade racial, democrata cresce e lidera disputa com folga

Bruno Benevides Catarina Pignato
São Paulo

Em 2016, Donald Trump surpreendeu ao vencer uma eleição na qual esteve o tempo todo atrás nas pesquisas. Pois neste ano o republicano precisará repetir a virada para continuar na Casa Branca.

Ao menos é o que apontam levantamentos mais recentes sobre a disputa eleitoral americana, cujos resultados confirmam cada vez mais o democrata Joe Biden como favorito, e Trump, como azarão.

É para entender o tamanho da vantagem que o ex-vice-presidente abriu no último mês que a Folha preparou uma série de gráficos sobre as preferências dos americanos e sobre como eles enxergam os candidatos.

A pandemia virou o mundo de ponta-cabeça, e seus reflexos na economia, além dos recentes protestos por igualdade racial, são alguns dos fatores que ajudam a explicar o fortalecimento de Biden.

Existem dezenas de institutos de pesquisas, universidades e veículos jornalísticos nos EUA que realizam pesquisas eleitorais. Com diferentes metodologias, qualidade e alcance, elas por vezes mostram números muito díspares —o que torna difícil compreender exatamente o que está acontecendo na disputa.

Os dois levantamentos mais recentes de alcance nacional ilustram bem essa questão. Para o instituto britânico de pesquisa YouGov, se a eleição fosse hoje Biden venceria Trump por 45% a 40%. Já para a Monmouth University, a vantagem do democrata é bem maior, de 53% a 41%.

Existem até sites, como o 538 e o Real Clear Politics, especializados em analisar as pesquisas, traçando um cenário mais preciso —ambos consideram o levantamento da Monmouth mais confiável, por exemplo.

Na média das pesquisas calculada pelo 538 até esta sexta-feira (3), Biden tem 9,6 pontos percentuais de vantagem sobre Trump, o que representa a maior diferença de um candidato sobre seu adversário em junho de um ano eleitoral em mais de duas décadas.

Bill Clinton foi o último a conseguir superar esse número —em junho de 1996, quando disputava a reeleição, desfilava 11,9 pontos percentuais de vantagem sobre seu então rival, o republicano Bob Dole.

No ciclo de 2016, Hillary chegou a abrir 7,5 pontos percentuais sobre Trump. No fim, até venceu no total de votos —48,2% contra 46,1%—, mas na disputa que importa, a do Colégio Eleitoral, a vitória foi de Trump.

Outro caso famoso é o do democrata Michael Dukakis, que em junho de 1988 tinha 5 pontos percentuais de vantagem sobre George H. W. Bush. O republicano, no entanto, acabaria vencendo com tranquilidade, com 8 pontos percentuais à frente do rival.

No Colégio Eleitoral, Bush massacrou o rival, vencendo em 40 dos 50 estados. O peculiar sistema eleitoral americano é outro desafio para quem quer entender a disputa, já que o vencedor não é obrigatoriamente o mais votado.

Joe Biden ajeita máscara durante discurso em evento de sua campanha em Delaware na terça (30)
Joe Biden ajeita máscara durante discurso em evento de sua campanha em Delaware na terça (30) - Brendan Smialowski - 30.jun.20/AFP

Cada um dos estados americanos tem um número de votos no Colégio Eleitoral proporcional à sua população. A Califórnia, com 39,51 milhões de habitantes, por exemplo, tem direito a 55 representantes. Já a Dakota do Sul, com 884,6 mil, a 3.

O candidato que vence a eleição em um estado leva todos os votos dele —as exceções são Nebraska e Maine, que dividem os votos de maneira mais proporcional. No fim do processo, é eleito quem conquistar mais da metade dos votos no Colégio Eleitoral, ou seja, ao menos 270 dos 538 votos possíveis.

Assim, a chave para vencer a eleição é conquistar os chamados estados-pêndulo, que ora votam em republicanos, ora votam em democratas.

E a vantagem neles atualmente é toda de Biden, que lidera nos seis principais vencidos por Trump há quatro anos: Flórida, Arizona, Carolina do Norte, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia.

Por isso, são esses seis estados que devem concentrar a maior parte das atenções dos analistas daqui até 3 de novembro, o dia da eleição.

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