Inundações no sul da Ásia já deixam mais de 200 mortos e desalojam mais de 4 milhões de pessoas

Dezenas estão desaparecidas devido a enchentes e deslizamentos de terra desde final de maio

Guwahati (Índia) e Kathmandu | Reuters e AFP

Grandes inundações que se espalharam por Índia, Nepal e Bangladesh já deixaram mais de 200 mortos e dezenas de desaparecidos, além de terem forçado o desalojamento de quase 4 milhões de pessoas, informaram representantes dos governos neste domingo (19).

A crise começou no final de maio, quando ocorre o início da época das monções na região.

O alagamento do rio Brahmaputra, que corre desde o Tibet, passando por Índia e Bangladesh, causou deslizamentos de terras, danificou plantações e deslocou milhões de pessoas nos três países.

Membros de equipe de resposta a desastres naturais inspecionam área onde casas colapsaram devido a fortes chuvas em Nova Déli
Membros de equipe de resposta a desastres naturais inspecionam área onde casas colapsaram devido a fortes chuvas em Nova Déli - Sajjad Hussain/AFP

Segundo a agência de notícias AFP, um terço de Bangladesh está sob água, e as autoridades afirmam que até 40% dos 160 milhões de habitantes do país podem ser afetados pelas inundações.

Neste domingo (19), o porta-voz do Ministério da Saúde de Bangladesh, Ayesha Akther, afirmou que ao menos 67 pessoas morreram e 2,6 milhões de pessoas foram afetados pelo alagamento pelos rios nas últimas duas semanas.

No estado de Assam, no norte da Índia, mais de 2,7 milhões de pessoas já tiveram que deixar suas casas em três ondas de alagamento, com mais de 80 mortos.

"A situação das inundações permanece crítica, com a maioria dos rios ultrapassando as marcações de perigo", afirmou Keshab Mahanta, secretário de Recursos Hídricos do estado.

O estado de Assam enfrenta duas crises: além das inundações —dos 33 distritos, 25 seguem afetados pela mais recente onda de alagamentos, que já dura duas semanas—, há a pandemia de coronavírus.

A Índia enfrenta dificuldades nesse front. Com quase 1,1 milhão de infectados, é o terceiro país com maior número de casos no mundo. Até este domingo, eram 26.816 mortos, segundo a Universidade Johns Hopkins.

No vizinho Nepal, o governo emitiu um alerta para os moradores nas planícies ao sul do país, com a expectativa de mais chuvas fortes.

Desde junho, inundações e deslizamentos já atingiram 26 dos 77 distritos do país e deixaram 110 mortos e cem feridos, além de destruírem casas, estradas e pontes, segundo a polícia.

O ministro do Interior, Murari Wasti, afirmou que 48 pessoas estão desaparecidas e que a contagem de mortes deve aumentar. "Equipes de busca e resgate estão procurando desaparecidos em diferentes locais, mas as chances de encontrar sobreviventes são baixas", afirmou ele.

Segundo Barun Paudel, do serviço metereológico da capital Kathmandu, chuvas fortes são esperadas para a maior parte do país durante os próximos quatro dias, e a população deve ficar alerta para mais inundações e alagamentos, comuns nessa região durante essa época do ano.

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