Maduro ordena prisão de colaboradores de Guaidó por 'roubo' de ouro da Venezuela

Justiça britânica impediu que ditador resgatasse reservas no Banco da Inglaterra

Caracas | Reuters e AFP

O Ministério Público da Venezuela ordenou a prisão e o congelamento de bens de 11 colaboradores do líder opositor Juan Guaidó, acusados de “traição à pátria” por, segundo o órgão, roubarem do país reservas de ouro armazenadas no Banco da Inglaterra (BoE).

"A todos esses criminosos que agiram para favorecer os interesses de potências estrangeiras [...] são atribuídos os crimes de traição à pátria, usurpação de funções e formação de quadrilha", disse o procurador-geral, Tarek William Saab, em discurso transmitido pela rede de TV estatal.

Entre os acusados, estão Vanessa Neumann, delegada de Guaidó no Reino Unido, e Carlos Vecchio, representante do líder opositor nos EUA. Todos os envolvidos vivem fora do país, mas Saab não descartou ações internacionais para realizar as prisões.

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, durante entrevista coletiva em Caracas
O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, durante entrevista coletiva em Caracas - Marcos Salgado - 8.mai.20/Xinhua

O regime de Nicolás Maduro tenta recuperar há mais de um ano 31 toneladas de ouro, avaliadas em quase R$ 5,3 bilhões, guardadas pela Venezuela nos cofres do BoE.

Na quinta-feira (2), porém, um juiz britânico deu ganho de causa a Guaidó e impediu que o ouro fosse resgatado pelo regime venezuelano.

A decisão diz que o governo britânico considera Guaidó presidente legítimo da Venezuela, de modo que caberia a ele decidir sobre a gestão das reservas, e não a Maduro.

Os chavistas pedem a liberação do ouro sob o argumento de que usarão os valores para financiar ações de combate à pandemia de coronavírus. Já Guaidó diz temer que os recursos sejam usados para perseguir opositores e pressionar a população a seguir apoiando o governo.

O Banco Central da Venezuela (BCV) anunciou que apresentará um recurso à decisão britânica, por considerar que a sentença ignora a realidade.

O resultado do julgamento pode estabelecer um precedente para outros fundos venezuelanos bloqueados no exterior, especialmente em países europeus. Nos EUA, a Justiça tem se manifestado a favor de Guaidó.

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