Descrição de chapéu Governo Trump

Na Casa Branca, AMLO elogia Trump por não tratar México 'como colônia'

Presidente mexicano adota tom elogioso em encontro com líder americano

Washington | Reuters e Reuters

Em busca de recuperação econômica em sua primeira viagem internacional desde que assumiu a Presidência do México, Andrés Manuel Lopez Obrador deixou de lado as disputas por fronteiras e tarifas e adotou tom elogioso em seu encontro com o americano Donald Trump nesta quarta (8), em Washington.

"O que eu mais aprecio é que você nunca tentou nos impor nada que violasse ou prejudicasse a nossa soberania", disse AMLO, como o mexicano é conhecido, falando em espanhol e olhando para Trump nos jardins da Casa Branca.

"Você nunca tentou nos tratar como uma colônia", acrescentou. "É por isso que estou aqui para dizer ao povo dos Estados Unidos que o seu presidente nos tratou com bondade e respeito."

O presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, e o americano, Donald Trump, na Casa Branca
O presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, e o americano, Donald Trump, na Casa Branca - Kevin Lamarque/Reuters

Trump disse que a declaração conjunta que eles assinaram comprometeria os dois países com "um futuro compartilhado de prosperidade, segurança e harmonia".

Por conta dos riscos de contaminação pelo novo coronavírus, os líderes não trocaram aperto de mãos quando Trump cumprimentou o mexicano em sua chegada.

Nenhum dos dois usou máscaras de proteção durante o encontro. Segundo a Casa Branca, todos os membros da delegação mexicana, incluindo AMLO, foram testados antes da reunião.

Os líderes devem se encontrar novamente nesta quinta (9), para comemorar a entrada em vigor, no último dia 1o, do novo tratado de livre-comércio México-EUA-Canadá, que substituiu o Nafta (Tratado de Livre Comércio de América do Norte).

Mas o terceiro mandatário envolvido no acordo, o primeiro-ministro Justin Trudeau, não foi depois que Trump ameçou aplicar novas tarifas sobre produtos canadenses.

Antes do encontro, o governo do Canadá havia alertado para a falta de segurança sanitária para a realização de um evento desse porte em meio à pandemia.

Trump disse que falaria com Trudeau mais tarde e que o canadense o visitaria em outro momento.

A delegação mexicana é formada por um grupo de empresários, incluindo o homem mais rico do México, o magnata das telecomunicações Carlos Slim, que devem jantar com executivos americanos e Trump na Casa Branca ainda nesta quarta.

O convite para a viagem aos Estados Unidos foi feito pelo americano, e o presidente mexicano aceitou, mesmo sem haver voos diretos entre as duas capitais.

Ele teve de fazer uma conexão e havia sido desaconselhado a viajar pelo médico que o acompanha, uma vez que não usa o avião presidencial, que pretende vender.

AMLO foi eleito há dois anos, justamente com a bandeira do anti-imperialismo. Entre os candidatos à época, era a figura mais contrária ao líder americano.

Na eleição de 2018, os mexicanos também votaram levando em conta a alta rejeição ao PRI (Partido Revolucionário Institucional), devido ao aumento da violência e aos escândalos de corrupção do governo de Enrique Peña Nieto (2012-2018), e ao PAN (Partido da Ação Nacional), por conta dos milhares de mortos na guerra ao narcotráfico.

Naquele momento, AMLO parecia ser o mais qualificado para responder às provocações e aos insultos que Trump disparou contra os mexicanos, a quem chamou de narcotraficantes e estupradores na campanha eleitoral.

No entanto com a perspectiva de recessão na economia mexicana no pós-pandemia, o confronto nacionalista deu lugar ao pragmatismo.

A perspectiva de queda da economia mexicana no pós-pandemia é grande: -10,5% do PIB, segundo projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional). Além disso, o país deixou de ser o principal parceiro comercial dos EUA na região, sendo substituído pelo Canadá.

Trump, que tenta a reeleição em novembro, deve, mais uma vez, tentar capitalizar politicamente o encontro, assim como fez com o antecessor de AMLO, Peña Nieto.

O encontro de Trump com o ex-presidente Enrique Peña Nieto, realizado durante a campanha eleitoral americana, em 2016, foi considerado um vexame pelos mexicanos, uma vez que o líder do país latino à época não se colocou contra o muro que Trump disse querer construir na fronteira —na mesma noite, o então candidato republicano fez um comício em que levou a multidão a gritar que o México pagaria pelo muro.

Embora AMLO tenha feito a sua campanha baseada na oposição ao líder americano, ele tem atendido às vontades do republicano.

Já enviou tropas para a fronteira sul do México, na tentativa de conter a imigração centro-americana (que passa por ali para chegar aos EUA), e concordou com o programa "Permaneça no México" para desestimular que refugiados seguissem para o vizinho do norte.

A estratégia deu resultado, e a quantidade de imigrantes centro-americanos em situação irregular que tentam cruzar do México para os EUA é um sexto do que era em 2016, segundo dados do serviço de imigração norte-americano.

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