Polônia deixará tratado de combate a violência contra as mulheres

Ativistas protestaram contra decisão em Varsóvia e dizem que governo quer legalizar agressões domésticas

Varsóvia | Reuters

A Polônia tomará medidas na semana que vem para deixar a Convenção de Istambul, tratado europeu de combate à violência contra as mulheres.

O governo, de direita, diz que as regras violam o direito dos pais ao determinar que as escolas ensinem as crianças sobre questões de gênero, disse Zbigniew Ziobro, ministro da Justiça polonês.

"Ele contém elementos de natureza ideológica, o que consideramos danoso", disse.

Manifestante com cartaz com a frase 'acredite nas vítimas' durante protesto pelos direitos das mulheres em Varsóvia
Manifestante com cartaz com a frase 'acredite nas vítimas' durante protesto pelos direitos das mulheres em Varsóvia - Wojtek Radwanski - 24.jul.20/AFP

O partido PiS, que comanda o país, é alinhado à Igreja Católica e defende uma agenda conservadora. O combate aos direitos LGBT foi uma das bandeiras de campanha do presidente Andrzej Duda, reeleito neste mês.

Na sexta (24), milhares de pessoas, a maioria mulheres, protestaram em Varsóvia e em outras cidades contra a saída do tratado.

"O objetivo dessa mudança é legalizar a violência doméstica", critica Magdalena Lempart, uma das organizadoras do protesto.

O PiS ataca há bastante tempo a Convenção de Istambul, ratificada pela Polônia em 2015, quando o país era comandado por um governo de centro.
A legenda diz que o tratado desrespeita preceitos religiosos e interfere na formação dos estudantes.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a violência doméstica aumentou na Europa neste ano, em meio aos meses de confinamento por causa da pandemia.

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