Professores processam governador da Flórida contra ordem de reabertura de escolas

Estado no Sul dos EUA já registrou mais de 360 mil casos de Covid-19

São Paulo

O sindicato de professores da Flórida entrou nesta segunda (20) com uma ação judicial contra o governador do estado para impedir a reabertura de escolas em meio ao aumento de casos de coronavírus.

Desde o início da pandemia, a Flórida já registrou mais de 360 mil infecções e mais de 5.000 mortes por Covid-19 —e chegou a ter 15 mil novas infecções em 24 horas.

Ainda assim, a administração estadual, liderada pelo republicano Ron DeSantis, ordenou no início do mês que as escolas retomem as aulas presenciais, cinco vezes por semana, a partir de agosto.

Professora de escola secundária protesta em Tampa, na Flórida, com cartaz com a frase 'não posso lecionar de um túmulo'
Professora de escola secundária protesta em Tampa, na Flórida, com cartaz com a frase 'não posso lecionar de um túmulo' - Octavio Jones - 16.jul.20/Getty Images/AFP

O pedido judicial que questiona a decisão alega que a retomada das aulas pode colocar em risco estudantes, professores e outros funcionários das escolas.

A demanda do governador espelha a do presidente Donald Trump, que enfrenta uma dura disputa pela reeleição em novembro e pressiona pela reabertura das escolas como sinal de retorno à normalidade.

O democrata Joe Biden, que concorre à Casa Branca com Trump, tem mantido uma vantagem de 9 pontos percentuais em relação ao republicano nas intenções de voto dos americanos, segundo o FiveThirtyEight, site que compila diariamente a média das principais pesquisas do país.

Na Flórida, Trump ganhou de Hillary por 1,2 ponto percentual há quatro anos, mas Biden abriu 6 de vantagem nas últimas semanas, conforme a pandemia se agravava de forma vertiginosa no estado.

DeSantis é aliado de Trump e estava ao lado do presidente em uma das vezes que ele criticou o combate ao coronavírus no Brasil. Desde abril, tem impulsionado a reabertura da economia e das escolas.

A decisão tomada na Flórida vai na contramão de outras regiões, como Califórnia e partes do Texas, que decidiram que ainda não é seguro mandar estudantes de volta às salas de aula.

Assim como nos Estados Unidos, a retomada no Brasil também não tem sido coordenada nacionalmente.

Em São Paulo, o plano elaborado pelo governador João Doria (PSDB) estipula que a volta às aulas só deve ser realizada quando todas as regiões do estado tiverem completado 28 dias na fase amarela, a terceira da retomada, com previsão de que isso ocorra em 8 de setembro.

No Rio, por sua vez, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) anunciou nesta segunda que as escolas particulares poderão retomar as aulas presenciais de forma voluntária a partir do dia 3 de agosto.

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