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EUA, Reino Unido e Canadá acusam Rússia de tentar roubar dados sobre vacina para Covid-19

Países relatam ataques de hackers que teriam ligação com inteligência russa

Londres e Moscou | Reuters e AFP

EUA, Reino Unido e Canadá acusam hackers ligados ao governo russo de tentar roubar dados de pesquisas para a vacina contra a Covid-19 feitas em diversos laboratórios pelo mundo.

Em uma declaração conjunta divulgada nesta quinta (16), os países culpam o grupo APT29, também conhecido como Cozy Bear, pelas tentativas de invasão a sistemas de instituições acadêmicas e de empresas farmacêuticas.

Também afirmam que os hackers, "quase certamente", operam como parte dos serviços de inteligência da Rússia.

Frasco com potencial vacina para a Covid-19 em laboratório da Novavax em Gaithersburg, no estado de Maryland, nos EUA
Frasco com potencial vacina para a Covid-19 em laboratório da Novavax em Gaithersburg, no estado de Maryland, nos EUA - Andrew Caballero-Reynolds - 7.jul.20/AFP

O comunicado não detalhou quais organizações teriam sido alvo nem se os ataques conseguiram obter informações protegidas, mas disse que as pesquisas não foram comprometidas.

Para tentar acessar os dados, os hackers teriam usado táticas como phishing (emails com pedidos falsos de dados que tentam parecer mensagens oficiais) e malwares (programas que se infiltram nas máquinas sem que os usuários percebam).

"Nós condenamos esses ataques desprezíveis contra aqueles que estão fazendo um trabalho vital para combater a pandemia", disse Paul Chichester, diretor de operações do NCSC (Centro Nacional de Cibersegurança britânico).

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, afirmou que a ação é "completamente inaceitável" e que o governo britânico trabalhará para punir os hackers.

O governo russo, por sua vez, rejeitou as acusações e disse que elas não são baseadas em evidências.

Em maio, Reino Unido e Estados Unidos acusaram grupos de hackers de realizar ações contra organizações e pesquisadores que combatem a Covid-19, mas não citavam conexões com a Rússia.

Nesta quinta, o governo britânico também acusou a Rússia de tentar interferir nas eleições parlamentares de dezembro de 2019 no país, vencidas por Boris Johnson. O resultado permitiu ao premiê avançar com o brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

Na ocasião, foram divulgados documentos secretos sobre as negociações comerciais entre Londres e Washington. O material foi usado pela oposição para acusar Boris de planejar a privatização do NHS, o sistema público de saúde britânico.

Na semana que vem, o Reino Unido deve divulgar um relatório sobre a possível interferência russa na política do país, especialmente na campanha do referendo que desencadeou o brexit, em 2016.

O grupo Cozy Bear é suspeito de ter hackeado o Partido Democrata americano antes das eleições de 2016, em uma ação apontada como uma tentativa do governo russo de ajudar a candidatura de Donald Trump. Essa relação, no entanto, não foi provada.

Emails da campanha de Hillary Clinton foram vazados antes do pleito por meio do site WikiLeaks. O material escancarou estratégias políticas da democrata, que afirmava nas mensagens que é preciso ter “uma posição pública e outra privada”, e comparava a política a “uma salsicha sendo feita”.

Depois das eleições, Hillary atribuiu parte de sua derrota nas urnas ao episódio.

A espionagem digital internacional é uma prática recorrente de governos pelo mundo, embora seja pouco conhecida pelo público. Em 2013, o ex-funcionário Edward Snowden denunciou a existência de uma ampla estrutura criada pelos EUA para captar dados de celulares no país e no exterior, sob comando da agência NSA.

Essa rede também teria sido usada para espionar líderes estrangeiros, incluindo alvos na China, da União Europeia e os então presidentes Enrique Peña Nieto, do México, e Dilma Rousseff, do Brasil. A denúncia de que seus ministros haviam sido grampeados pelos EUA levou Dilma a adiar uma visita oficial a Washington.

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