Seattle desaloja manifestantes e reassume controle de zona autônoma sem policiais

Área ocupada por três semanas teve tiroteios e morte de dois jovens

Seattle | AFP e Reuters

As forças de segurança de Seattle desocuparam nesta quarta-feira (1º) uma zona autônoma criada há três semanas por manifestantes que protestavam contra o abuso policial nos Estados Unidos.

Composta por seis quarteirões, a chamada Zona Autônoma de Capitol Hill foi ocupada por manifestantes antirracistas no dia 8 de junho.

Policiais prendem homem durante desocupação de zona autônoma em Seattle
Policiais prendem homem durante desocupação de zona autônoma em Seattle - David Ryder/Getty Images/AFP

A área surgiu a partir de uma concessão do Departamento de Polícia de Seattle, após ter sido fortemente criticado pela forma como coibiu os protestos contra a morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos sufocado por um policial branco no fim de maio em Minneapolis.

Os policiais fecharam as janelas da delegacia com tábuas e abandonaram o local. Nos dias que se seguiram, os manifestantes cercaram a área com barricadas, e a zona passou a funcionar como uma proposta de comunidade sem forças policiais.

Desde então, houve ao menos quatro tiroteios no local, com a morte de dois adolescentes.

Nesta quarta, a prefeita Jenny Durkan ordenou que a polícia evacuasse a área e removesse as barreiras usadas para desviar o tráfego.

Com escudos e capacetes de proteção, policiais entraram na zona pela manhã e prenderam 31 pessoas. Um homem foi detido com um cano de metal e uma faca de cozinha, de acordo com o Departamento de Polícia.

A prefeita disse que, até o momento, a cidade "facilitou razoavelmente um exercício permanente" dos direitos constitucionais de liberdade de expressão e manifestação.

Mas esses direitos "não exigem que a cidade forneça um santuário de propriedade para sua ocupação ilimitada, causando danos à cidade e à propriedade privada, obstruindo o direito de circulação ou criando condições perigosas", acrescentou.

Durkan citou os tiroteios, além de agressões, estupros e uso de drogas. Para a chefe de polícia Carmen Best, a área "se tornou sem lei e brutal".

Em menos de dez dias, dois jovens morreram na área. Um deles, de 16 anos, foi assassinado a tiros no último dia 29. Outro adolescente de 14 anos que estava com ele ficou ferido em estado grave. Segundo a polícia, a cena do crime foi modificada.

A outra vítima foi um jovem de 19 anos que também morreu baleado no dia 20, em um episódio que deixou outro ferido grave.

A zona autônoma foi duramente criticada pelo presidente Donald Trump, que tem chamado os manifestantes de “terroristas domésticos” e solicitado que autoridades locais os retirassem de lá. Na segunda-feira (29), ele os chamou de "saqueadores, agitadores e anarquistas".

A área se tornou menos ativa e populosa nos últimos dias. Multidões que inicialmente se reuniam para escutar os discursos contra a brutalidade policial e pintar os muros com frases antirracistas foram desaparecendo, assim como estações de atendimento médico e tendas que distribuíam comida grátis.

Donos de lojas da região, um bairro da moda com boutiques e bares modernos, pressionaram por uma ação mais dura das autoridades, e advogados entraram com ações contra a prefeitura por permitir a instalação da zona autônoma.

Um homem entrevistado pela agência de notícias Reuters, que fez a segurança voluntária da zona autônoma por 24 dias, disse que apoia a ação da polícia de desocupação porque pessoas de fora do grupo inicial trouxeram violência ao movimento.

"Eles vieram com armas, violência, pedras", disse Harry Hearns, 59. "Nós não apoiamos a violência. Essas pessoas a trouxeram para cá."

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